{"id":98261,"date":"2016-04-17T00:42:39","date_gmt":"2016-04-17T03:42:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=98261"},"modified":"2016-04-18T13:35:43","modified_gmt":"2016-04-18T16:35:43","slug":"vinte-anos-apos-massacre-dos-caracjas-tensao-mantem-rural-rotina-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/vinte-anos-apos-massacre-dos-caracjas-tensao-mantem-rural-rotina-no-brasil\/","title":{"rendered":"Vinte anos ap\u00f3s massacre dos Caracj\u00e1s, tens\u00e3o rural mant\u00e9m feia rotina no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><strong>Felipe Pontes<\/strong><\/p>\n<p>Passadas duas d\u00e9cadas do massacre em que 19 trabalhadores sem-terra foram mortos pela Pol\u00edcia Militar, a regi\u00e3o de Eldorado dos Caraj\u00e1s, no sudeste do Par\u00e1, volta a ser o centro das aten\u00e7\u00f5es da comunidade internacional dedicada \u00e0 luta no campo e permanece uma das \u00e1reas de maior tens\u00e3o no meio rural brasileiro.<\/p>\n<p>Como em todos os anos, as 690 fam\u00edlias sobreviventes que hoje vivem no assentamento 17 de abril participam de um ato ecum\u00eanico na curva do \u201cS\u201d, na BR-155, onde ocorreu o massacre. L\u00e1, 19 castanheiras foram plantadas em homenagem \u00e0s v\u00edtimas da chacina.<\/p>\n<p>Este ano, juntam-se a eles dezenas de representantes de movimentos em defesa da reforma agr\u00e1ria que vieram de pa\u00edses da \u00c1frica, \u00c1sia, Am\u00e9rica Latina e Europa. \u201cEldorado dos Caraj\u00e1s \u00e9 um evento emblem\u00e1tico para a comunidade internacional que luta pela reforma agr\u00e1ria, que abriu nossos olhos para a necessidade de globalizar a luta\u201d, disse Faustino Torrez, da Asociaci\u00f3n de Trabajadores del Campo (ATC), da Nicar\u00e1gua.<\/p>\n<p>A grande como\u00e7\u00e3o mundial gerada pela dramaticidade do massacre &#8211; no qual os legistas apontaram a ocorr\u00eancia de execu\u00e7\u00f5es \u00e0 queima roupa de camponeses, al\u00e9m de trabalhadores mutilados ap\u00f3s serem perseguidos pelos policiais at\u00e9 as barracas nas quais acampavam \u00e0 beira da estrada \u2013 levou o dia 17 de abril a se tornar o Dia Internacional de Luta no Campo.<\/p>\n<p>O ato realizado neste domingo pede tamb\u00e9m pelo fim da impunidade no campo. At\u00e9 hoje, dos 154 policiais militares denunciados pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico, apenas dois foram condenados por homic\u00eddio doloso e encontram-se presos, o coronel M\u00e1rio Collares Pantoja e o major Jos\u00e9 Maria Pereira, que comandaram a a\u00e7\u00e3o no dia do massacre.<\/p>\n<p>A falta de puni\u00e7\u00e3o dos envolvidos \u00e9 apontada como uma das principais raz\u00f5es pelas quais a regi\u00e3o de Eldorado dos Caraj\u00e1s continua entre as mais tensas do campo brasileiro. De acordo com um levantamento feito pela Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT), dos 846 assassinatos registrados na regi\u00e3o entre 1980 a 2014, apenas 293 tiveram inqu\u00e9rito policial instaurando. Desses, 62 pessoas foram levadas a julgamento.<\/p>\n<p>\u201cO massacre acabou estimulando ainda mais a luta dos camponeses na regi\u00e3o pela disputa da terra. Por outro lado, tamb\u00e9m resultou numa continuidade da situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia. Apenas ap\u00f3s o massacre, de 1996 para c\u00e1, a CPT registrou 271 assassinatos de trabalhadores rurais no estado do Par\u00e1, sendo a maioria absoluta nessa regi\u00e3o do sul e sudeste do estado\u201d, disse Jo\u00e3o Batista Afonso, coordenador da \u00e1rea jur\u00eddica da Pastoral em Marab\u00e1, maior cidade da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo a CPT, existem no momento 130 fazendas ocupadas por acampamentos do MST no sul do Par\u00e1. Enquanto algumas dessas ocupa\u00e7\u00f5es foram montadas nos primeiros meses deste ano, outras j\u00e1 completam duas d\u00e9cadas sem que se tenha sido resolvido o impasse pela disputa de terras. Estima-se que proximadamente 14 mil fam\u00edlias estejam acampadas ou aguardando por assentamento na regi\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Felipe Pontes Passadas duas d\u00e9cadas do massacre em que 19 trabalhadores sem-terra foram mortos pela Pol\u00edcia Militar, a regi\u00e3o de Eldorado dos Caraj\u00e1s, no sudeste do Par\u00e1, volta a ser o centro das aten\u00e7\u00f5es da comunidade internacional dedicada \u00e0 luta no campo e permanece uma das \u00e1reas de maior tens\u00e3o no meio rural brasileiro. 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