{"id":98833,"date":"2016-04-22T06:03:56","date_gmt":"2016-04-22T09:03:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=98833"},"modified":"2016-04-23T11:43:42","modified_gmt":"2016-04-23T14:43:42","slug":"internet-vira-escola-virtual-para-dicas-e-aulas-sobre-plantio-de-maconha-por-jovens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/internet-vira-escola-virtual-para-dicas-e-aulas-sobre-plantio-de-maconha-por-jovens\/","title":{"rendered":"Internet vira escola virtual para dicas aos jovens sobre como plantar a maconha"},"content":{"rendered":"<p>Quem passa pela cal\u00e7ada de um terreno no extremo sul de S\u00e3o Paulo v\u00ea apenas algumas \u00e1rvores extrapolarem o muro de 3 metros de altura. Do lado de dentro, Leandro (nome fict\u00edcio), 20, rega oito p\u00e9s de maconha que cultiva com o tio, fora do alcance dos olhares dos vizinhos e da pol\u00edcia.<\/p>\n<p>A t\u00e9cnica de &#8220;guerrilha&#8221;, como \u00e9 chamada a estrat\u00e9gia de camuflar o plantio de maconha em terrenos baldios e florestas, \u00e9 difundida em redes sociais como solu\u00e7\u00e3o para evitar que os cultivadores da erva sejam presos.<\/p>\n<p>Leandro come\u00e7ou sua &#8220;guerrilha&#8221; h\u00e1 cerca de um ano e meio. Ele conta que as suas principais motiva\u00e7\u00f5es foram consumir um produto de melhor qualidade e reduzir o financiamento ao crime organizado por meio do tr\u00e1fico de drogas.<\/p>\n<p>&#8220;Meu primeiro cultivo foi numa estufa improvisada dentro de uma sapateira, na minha casa. Mas parei porque meus pais, al\u00e9m de acharem que a pol\u00edcia bateria \u00e0 nossa porta, ficaram bravos porque a conta de luz ficou muito cara&#8221;, afirmou \u00e0 BBC Brasil.<\/p>\n<p>Procurada, a Secretaria da Seguran\u00e7a P\u00fablica do Estado de S\u00e3o Paulo n\u00e3o comentou o caso. A pasta informou que s\u00f3 responde ocorr\u00eancias de &#8220;casos concretos&#8221;.<\/p>\n<p>O advogado criminalista Daniel Biral disse \u00e0 BBC Brasil que o porte de apenas uma planta de maconha j\u00e1 pode ser considerado tr\u00e1fico. &#8220;Isso vai depender se a planta \u00e9 f\u00eamea (produtoras de flores, que podem ser fumadas) ou macho. Se ficar comprovado que a planta produz flores, \u00e9 tr\u00e1fico&#8221;, disse o advogado.<\/p>\n<p>Segundo Biral, o dono da planta precisar\u00e1 de um laudo do IC (Instituto de Criminal\u00edstica) para provar que a planta \u00e9 macho e descaracterizar a produ\u00e7\u00e3o da droga. A pena para tr\u00e1fico de drogas no Brasil varia de 5 a 15 anos de pris\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio de muitos cultivadores que relatam suas experi\u00eancias de &#8220;guerrilha&#8221; nas redes sociais, Leandro n\u00e3o importa sementes, nem ganhou clones de outras plantas adultas.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 tudo com semente de maconha prensada (a mais comum entre os traficantes brasileiros) mesmo. Eu pego as sementes que v\u00eam junto com a maconha que a gente compra na rua e planto&#8221;, conta ele.<\/p>\n<p>Depois, ele transfere a planta para um vaso maior e leva para o terreno. Como trabalha durante a semana, Leandro s\u00f3 consegue cuidar das plantas aos domingos, quando tira parte do dia para adubar, regar e trocar a terra.<\/p>\n<p><strong>Cultivo maior<\/strong> &#8211;\u00a0Leandro conta que cada planta demora at\u00e9 seis meses para crescer, da germina\u00e7\u00e3o at\u00e9 a colheita, e rende at\u00e9 meio quilo da erva cada uma. Mesmo assim, ele ainda precisa comprar maconha de traficantes para suprir sua necessidade.<\/p>\n<p>&#8220;O ideal seria eu plantar mais, mas n\u00e3o posso sen\u00e3o vou dar bandeira e ir preso. Penso no dia em que a erva ser\u00e1 legalizada e eu vou poder plantar mais, como faz o meu tio na Espanha&#8221;, afirmou Leandro. O pa\u00eds europeu permite o cultivo para consumo pr\u00f3prio e a compra de at\u00e9 20 gramas da erva por semana em clubes can\u00e1bicos.<\/p>\n<p>Mesmo sob o risco de ser preso, Leandro n\u00e3o pretende parar ou reduzir o seu plantio e acha que todos os usu\u00e1rios deveriam plantar sua pr\u00f3pria erva. &#8220;N\u00e3o gasta quase nada de dinheiro. E s\u00f3 assim voc\u00ea ter\u00e1 algo medicinal sem sujeira, com as ess\u00eancias e efeitos que voc\u00ea preferir, sem financiar o tr\u00e1fico&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Ele conta que seus pais sabem do cultivo e at\u00e9 fumam com ele. &#8220;Meu pai j\u00e1 usava desde mais jovem; j\u00e1 a minha m\u00e3e gra\u00e7as a Deus tamb\u00e9m passou a fumar depois que eu indiquei leituras sobre o tema para ela ver que n\u00e3o h\u00e1 riscos e at\u00e9 faz bem&#8221;, relata.<\/p>\n<p>Dicas &#8211;\u00a0A maior parte das publica\u00e7\u00f5es em grupos do Facebook s\u00e3o para tirar d\u00favidas sobre o cultivo e exibir as plantas. &#8220;Galera, estou cultivando h\u00e1 cerca de 8 meses em guerrilha.<\/p>\n<p>Recentemente, (a planta) parou de crescer. Poderiam me ajudar com dicas para o crescimento ou controle contra insetos?&#8221;, questiona um dos integrantes.<\/p>\n<p>Alguns dos relatos s\u00e3o de pessoas que plantam maconha em trilhas na serra do litoral paulista, em ch\u00e1caras e at\u00e9 em canaviais. Todos os locais s\u00e3o mantidos em segredo.<\/p>\n<p>Todos os cultivadores entrevistados pela BBC Brasil disseram que usam um mesmo portal como fonte de informa\u00e7\u00e3o &#8211; o maior site sobre cultivo de maconha do Brasil, com dados, inclusive, sobre a planta\u00e7\u00e3o de &#8220;guerrilha&#8221;.<\/p>\n<p>A \u00e1rea com mais visitas do site \u00e9 o f\u00f3rum, onde usu\u00e1rios compartilham d\u00favidas, informa\u00e7\u00f5es e discutem sobre o cultivo da erva. De acordo o fundador do site, o f\u00f3rum tem 85 mil pessoas cadastradas e recebe mais de 10 mil visitantes \u00fanicos por dia.<\/p>\n<p>O cadastro no site \u00e9 permitido apenas para pessoas com mais de 18 anos. A venda ou troca de produtos \u00e9 proibida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem passa pela cal\u00e7ada de um terreno no extremo sul de S\u00e3o Paulo v\u00ea apenas algumas \u00e1rvores extrapolarem o muro de 3 metros de altura. Do lado de dentro, Leandro (nome fict\u00edcio), 20, rega oito p\u00e9s de maconha que cultiva com o tio, fora do alcance dos olhares dos vizinhos e da pol\u00edcia. 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