{"id":99428,"date":"2016-04-26T20:08:14","date_gmt":"2016-04-26T23:08:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=99428"},"modified":"2016-04-27T08:48:36","modified_gmt":"2016-04-27T11:48:36","slug":"armas-de-fogo-sem-identificacao-representam-cerca-de-86-das-apreensoes-no-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/armas-de-fogo-sem-identificacao-representam-cerca-de-86-das-apreensoes-no-rio\/","title":{"rendered":"No Rio, armas de fogo sem identifica\u00e7\u00e3o representam cerca de 86% das apreens\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p><strong>Fl\u00e1via Villela<\/strong><\/p>\n<p>Cerca de 86% das 8.956 armas apreendidas no Rio de Janeiro no ano passado n\u00e3o possuem identifica\u00e7\u00e3o. S\u00e3o armamentos com n\u00famero raspado ou que foram fabricados sem n\u00famero. Os dados foram apresentados hoje (26) pela Secretaria Estadual de Seguran\u00e7a do Rio a deputados estaduais na Comiss\u00e3o Parlamentar de Inqu\u00e9rito (CPI) das Armas na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), no centro da Capital Fluminense.<\/p>\n<p>Cerca de 25% das armas com numera\u00e7\u00e3o estavam no registro do Sistema Nacional de Armas (Sinarm). Mais de 30% pertenciam a pessoas f\u00edsicas, quase 30% a pessoas jur\u00eddicas e 20% a funcion\u00e1rios da Seguran\u00e7a P\u00fablica. Ainda segundo o levantamento da secretaria, metade dos propriet\u00e1rios das armas apreendidas registradas no Rio tem anota\u00e7\u00e3o criminal. Cerca de 40% das apreens\u00f5es das armas com n\u00famero s\u00e3o fabricadas no Brasil e 60% fabricados no exterior.<\/p>\n<p><strong>Falta de dados<\/strong><\/p>\n<p>Os n\u00fameros n\u00e3o incluem os dados do Instituto de Criminal\u00edstica Carlos \u00c9boli (ICCE) que coleta informa\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Civil, os da Pol\u00edcia Federal nem do Sistema de Gerenciamento Militar de Armas (Sigma). Por lei estadual, o laudo das armas da Pol\u00edcia Civil \u00e9 reservado.<\/p>\n<p>A falta desses dados prejudica o controle de arma no estado, disse o secret\u00e1rio estadual de Seguran\u00e7a do Rio de Janeiro, Jos\u00e9 Mariano Beltrame, que foi ouvido pelos integrantes da CPI. Ele defendeu o acesso a esses dados e a cria\u00e7\u00e3o de um \u00fanico banco de dados que envolvam todas as \u00e1reas de seguran\u00e7a p\u00fablica.<\/p>\n<p>Beltrame disse que, apesar da falta de investimento no setor, t\u00e9cnicos da secretaria desenvolveram um programa caseiro de controle interno de armas das pol\u00edcias do estado, mas falta implant\u00e1-lo. \u201cO projeto est\u00e1 pronto. Falta dinheiro para que possamos implant\u00e1-lo. [Com] em torno de R$ 5 mil ou R$ 6 mil consigo implantar em um batalh\u00e3o\u201d, disse.<\/p>\n<p>As armas de porte (rev\u00f3lveres e pistolas) representam 50% das armas apreendidas e as pistolas s\u00e3o, na maioria, de fabrica\u00e7\u00e3o nacional. Beltrame disse que houve aumento de 60% no n\u00famero de apreens\u00e3o de fuzis nos \u00faltimos oito anos e a maioria de fabrica\u00e7\u00e3o estrangeira. Quase 100% das armas das marcas CZ e Glock, que n\u00e3o constavam no Sinarm e que foram rastreadas com aux\u00edlio das f\u00e1bricas, s\u00e3o oriundas do Paraguai.<\/p>\n<p><strong>Armas desaparecidas<\/strong><\/p>\n<p>O presidente da CPI, Carlos Minc (PT) disse que\u00a0 cerca de 17,6 mil armas desapareceram de firmas de seguran\u00e7a entre 2005 a 2015, 640 armas desapareceram da Pol\u00edcia Civil e 1.050 foram roubadas ou extraviadas da Pol\u00edcia Militar nesse per\u00edodo. Os n\u00fameros foram apurados pela CPI. Ele criticou o que chamou de total descontrole por parte das autoridades competentes no monitoramento das armas dentro e fora das pol\u00edcias.<\/p>\n<p>\u201cOs sistemas n\u00e3o falam entre si. A CPI exige controle. At\u00e9 hoje os livros [de controle] s\u00e3o escritos \u00e0 m\u00e3o. Estamos muito preocupados, pois houve o tempo de vacas gordas e agora as vacas v\u00e3o emagrecer ainda mais. A CPI tem muitas recomenda\u00e7\u00f5es imediatas, como <em>chip<\/em> nas armas [como \u00e9 feito] no Paran\u00e1, boletim de ocorr\u00eancia eletr\u00f4nico em Santa Catarina e armas para cada policial, como ocorre em S\u00e3o Paulo. O Rio est\u00e1 muito atrasado\u201d.<\/p>\n<p>A CPI foi criada h\u00e1 cerca de quatro meses. Uma CPI para o mesmo fim foi criada, anteriormente, em 2011. \u201cFizeram uma exposi\u00e7\u00e3o hoje id\u00eantica \u00e0 de 2011. Se metade das recomenda\u00e7\u00f5es da CPI de 2011 tivesse sido feita, a situa\u00e7\u00e3o estaria muito menos dram\u00e1tica\u201d, disse Minc ao garantir que a CPI n\u00e3o ter\u00e1 o mesmo fim da primeira e que a Alerj ir\u00e1 cobrar o \u201ccumpra-se das medidas\u201d ao governo do estado de seis em seis meses ap\u00f3s o fim da comiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Na quinta-feira (28), a CPI vai ouvir o procurador-geral de Justi\u00e7a, Marfan Martins, para averiguar entre outros pontos o baixo n\u00famero de inqu\u00e9ritos policiais militares e por que dos 68 policiais militares ligados a roubo de armas, apenas um foi denunciado pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico.<\/p>\n<p><strong>Ativistas<\/strong><\/p>\n<p>Ao final da CPI, Beltrame foi abordado pelo ativista de Diretos Humanos, Raull Santiago, 27 anos, do Coletivo de Comunica\u00e7\u00e3o Papo Reto. Ele disse ao secret\u00e1rio que vem sofrendo intimida\u00e7\u00f5es por parte de policiais da Unidade de Pol\u00edcia Pacificadora do Complexo do Alem\u00e3o, onde mora e trabalha. O secret\u00e1rio se comprometeu em tomar provid\u00eancias sobre os casos denunciados por Santiago. Um deles ocorreu na meia noite de ontem (25), quando um amigo morador da Bahia que o visitava foi abordado por tr\u00eas policiais, que o questionaram se conhecia o comunicador.<\/p>\n<p>\u201cEle estava no motot\u00e1xi e o pararam apontando fuzil e ficaram perguntando se me conhecia, se trabalhava comigo. Acredito que por ele ter falado que trabalha com projeto social, queriam que essa informa\u00e7\u00e3o chegasse at\u00e9 a mim\u201d, disse. \u201cO Beltrame falou que vai conversar conosco de novo e espero que de fato o secret\u00e1rio leve essa den\u00fancia a s\u00e9rio, porque \u00e9 uma s\u00e9rie de den\u00fancias que a gente vem fazendo e o risco s\u00f3 aumenta e a situa\u00e7\u00e3o parece que s\u00f3 se agrava\u201d.<\/p>\n<p>As intimida\u00e7\u00f5es aos integrantes do coletivo ocorrem tamb\u00e9m durante o dia. \u201cFalam, &#8216;cuidado com a bala perdida&#8217;, perguntam &#8216;n\u00e3o vai tirar foto de policial hoje?&#8217;\u201d, disse. Santiago diz que teme por sua vida, mas que n\u00e3o pretende sair da comunidade onde vive. \u201cAcredito que \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o grave, mas tamb\u00e9m que precisamos ficar ali, que temos que trabalhar, tirar do foco que n\u00e3o se trata apenas de mim, mas de um monte de pessoas expondo essa situa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 uma bandeira contra a pol\u00edcia e a favor do tr\u00e1fico de drogas\u201d.<\/p>\n<p><strong>Viol\u00eancia policial<\/strong><\/p>\n<p>O Coletivo Papo Reto \u00e9 internacionalmente conhecido por denunciar viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos institucionais por parte da pol\u00edcia nas comunidades pobres do Rio. Santiago voltou recentemente de uma viagem aos Estados Unidos em que abordou a viol\u00eancia policial contra ativistas e entidades de direitos humanos.<\/p>\n<p>\u201cNos \u00faltimos cinco anos de pacifica\u00e7\u00e3o no Complexo do Alem\u00e3o, a principal pol\u00edtica p\u00fablica para a favela tem sido atrav\u00e9s da seguran\u00e7a p\u00fablica. O Estado olha para complexo pela mira de um fuzil de um policial. Vivemos uma l\u00f3gica de guerra, de preconceitos institucionais\u201d, disse. \u201cE o Papo Reto denuncia essa situa\u00e7\u00e3o, pois acreditamos que denunciar os maus policiais para o pr\u00f3prio Estado \u00e9 uma forma de contribuir para uma realidade melhor. \u00c9 injusto sermos perseguidos por estarmos denunciando viola\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fl\u00e1via Villela Cerca de 86% das 8.956 armas apreendidas no Rio de Janeiro no ano passado n\u00e3o possuem identifica\u00e7\u00e3o. S\u00e3o armamentos com n\u00famero raspado ou que foram fabricados sem n\u00famero. 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