{"id":99485,"date":"2016-04-27T08:56:27","date_gmt":"2016-04-27T11:56:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=99485"},"modified":"2016-04-28T08:20:45","modified_gmt":"2016-04-28T11:20:45","slug":"revisao-das-dividas-dos-estados-no-supremo-pode-socorrer-os-consumidores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/revisao-das-dividas-dos-estados-no-supremo-pode-socorrer-os-consumidores\/","title":{"rendered":"Revis\u00e3o das d\u00edvidas dos Estados no Supremo pode socorrer os consumidores"},"content":{"rendered":"<p><strong>Mariana Branco<\/strong><\/p>\n<p>O Supremo Tribunal Federal (STF) deve julgar nesrta quarta (27) o m\u00e9rito de liminares concedidas a unidades da Federa\u00e7\u00e3o permitindo o pagamento da d\u00edvida com a Uni\u00e3o por juros n\u00e3o capitalizados. Na avalia\u00e7\u00e3o de especialistas consultados pela Ag\u00eancia Brasil, caso haja decis\u00e3o definitiva pelos juros simples, os consumidores ter\u00e3o um est\u00edmulo para entrar na Justi\u00e7a e contestar o modelo vigente de cobran\u00e7a.<\/p>\n<p>O economista Miguel de Oliveira, diretor da Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Executivos de Finan\u00e7as (Anefac), explica que a diferen\u00e7a entre os juros simples e os compostos, ou capitalizados, \u00e9 que os primeiros s\u00e3o sempre aplicados sobre o valor original da d\u00edvida. Os juros capitalizados, por sua vez, s\u00e3o aplicados sobre o montante corrigido. &#8220;Em uma d\u00edvida de R$ 1 mil com juro de 1% ao m\u00eas, o juro, que corresponde a R$ 10, vai ser sempre calculado sobre R$ 1 mil. J\u00e1 o juro composto vai ser calculado sobre a d\u00edvida devidamente corrigida &#8211; por exemplo, sobre R$ 1.010, passado o primeiro m\u00eas. Por isso, se diz que \u00e9 juro sobre juro&#8221;.<\/p>\n<p>Oliveira lembra que os juros capitalizados est\u00e3o amplamente difundidos na economia dom\u00e9stica e na de outros pa\u00edses. &#8220;Vale para geladeira, casa pr\u00f3pria, financiamento de ve\u00edculo. Tudo \u00e9 com juros compostos. No mundo inteiro \u00e9 assim que se pratica mas, l\u00e1 fora, as taxas s\u00e3o mais baixas&#8221;, comenta. Na vis\u00e3o dele, justamente por abrir um precedente, o Supremo n\u00e3o permitir\u00e1 o c\u00e1lculo da d\u00edvida dos estados baseado nos juros n\u00e3o capitalizados.<\/p>\n<p>&#8220;Se [a decis\u00e3o] for juros simples, todo mundo poderia ir \u00e0 Justi\u00e7a. \u00c9 um contrassenso, porque os pr\u00f3prios estados cobram do contribuinte juros compostos&#8221;, afirma. Para o economista, o problema n\u00e3o est\u00e1 na cobran\u00e7a de juros capitalizados. &#8220;O problema n\u00e3o \u00e9 se \u00e9 abusivo [cobrar juros capitalizados]. O problema \u00e9 que, como no Brasil as taxas de juros s\u00e3o muito altas, d\u00e1 uma altera\u00e7\u00e3o grande&#8221;.<\/p>\n<p>A advogada Maria In\u00eas Dolci, coordenadora institucional da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste), defende que o c\u00e1lculo dos juros deve ser transparente e sua aplica\u00e7\u00e3o, justa. &#8220;A gente sabe que, hoje, sobre qualquer financiamento para bens, insumos, servi\u00e7os, limite de cheque especial, incidem juros compostos. N\u00f3s, consumidores, n\u00e3o temos o conhecimento t\u00e9cnico da sua aplica\u00e7\u00e3o. Sabemos que muitas vezes se tornam abusivos e at\u00e9 ilegais e s\u00e3o as institui\u00e7\u00f5es financeiras que acabam lucrando. Existe tamb\u00e9m uma s\u00famula do pr\u00f3prio STF dizendo que \u00e9 vedada a capitaliza\u00e7\u00e3o de juros&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>A coordenadora da Proteste refere-se \u00e0 S\u00famula 121 do Supremo. No entanto, alguns ju\u00edzes entendem que a S\u00famula 596, publicada posteriormente, invalida a anterior. O STF tamb\u00e9m j\u00e1 julgou constitucional a cobran\u00e7a de juros compostos em opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito com prazo inferior a um ano, em decis\u00e3o de 2015. A decis\u00e3o da Corte sobre o m\u00e9rito das liminares concedidas \u00e0s unidades da Federa\u00e7\u00e3o promete trazer mais clareza sobre o tema.<\/p>\n<p>Segundo estimativa do Minist\u00e9rio da Fazenda, uma decis\u00e3o do STF favor\u00e1vel aos juros simples traria um rombo de R$ 402,3 bilh\u00f5es aos cofres p\u00fablicos, levando em conta o estoque da d\u00edvida dos estados at\u00e9 dezembro de 2015. Os estados de Santa Catariana, do Rio Grande do Sul, de Minas Gerais, Alagoas, Goi\u00e1s, S\u00e3o Paulo e do Rio de Janeiro est\u00e3o entre os que obtiveram liminares que d\u00e3o o direito a pagar a d\u00edvida calculada por juros n\u00e3o capitalizados sem sofrer san\u00e7\u00f5es da Uni\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mariana Branco O Supremo Tribunal Federal (STF) deve julgar nesrta quarta (27) o m\u00e9rito de liminares concedidas a unidades da Federa\u00e7\u00e3o permitindo o pagamento da d\u00edvida com a Uni\u00e3o por juros n\u00e3o capitalizados. 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