{"id":9969,"date":"2014-05-18T19:00:59","date_gmt":"2014-05-18T22:00:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=9969"},"modified":"2014-05-18T20:16:51","modified_gmt":"2014-05-18T23:16:51","slug":"troca-de-figurinhas-da-copa-vira-programa-de-familia-no-fim-de-semana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/troca-de-figurinhas-da-copa-vira-programa-de-familia-no-fim-de-semana\/","title":{"rendered":"Troca de figurinhas da Copa vira programa de fam\u00edlia do domingo"},"content":{"rendered":"<p>Quem nunca abriu um pacote de figurinhas e esperou por aquela que finalmente iria completar o \u00e1lbum, n\u00e3o sabe descrever a emo\u00e7\u00e3o. Esse \u00e9 o sentimento de todo colecionador, novo ou antigo, que trabalha para completar o \u00e1lbum de figurinhas da Copa do Mundo do Brasil. E d\u00e1 trabalho mesmo. J\u00e1 n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel contar os pontos de troca que se formaram em v\u00e1rias cidades desde que o \u00e1lbum foi lan\u00e7ado em 4 de abril pela Panini, editora que det\u00e9m os direitos exclusivos de produzir e vender o \u00e1lbum oficial da Copa<\/p>\n<p>A empresa n\u00e3o divulga as metas de venda, tiragem ou faturamento, mas informa que realizou investimentos superiores a R$ 2,5 milh\u00f5es para ampliar a capacidade produtiva da f\u00e1brica no Brasil e distribuiu, inicialmente, 8,5 milh\u00f5es de exemplares em todo o pa\u00eds, com previs\u00e3o de reimpress\u00e3o. O \u00e1lbum tamb\u00e9m foi lan\u00e7ado em mais de 110 pa\u00edses.<\/p>\n<p>Segundo a Panini, as pe\u00e7as principais dessa cadeia s\u00e3o as bancas de jornais, que correspondem a 94% das vendas dos livros ilustrados e das figurinhas. S\u00e3o nesses locais que os colecionadores interagem e trocam os cromos repetidos.<\/p>\n<p>No Distrito Federal, um dos pontos que ficam lotados aos finais de semana \u00e9 a Banca Magazine, em \u00c1guas Claras. L\u00e1, \u00e9 poss\u00edvel encontrar o capit\u00e3o reformado do Ex\u00e9rcito, Nei da Silva Faria, conhecido como seu Nei. O militar, de 66 anos, frequenta a banca todos os domingos, desde 2006, e organizou ali um ponto fixo de troca de figurinhas. Seu Nei, torcedor do Bangu, do Rio de Janeiro, n\u00e3o tem prefer\u00eancia por tema. \u201cIndependentemente de Copa, estou aqui. Os \u00e1lbuns s\u00e3o variados, do tema que me agradar. Tem do Campeonato Brasileiro, tenho o do Rio, que \u00e9 para crian\u00e7as, do Harry Potter, tenho de princesas, que troco com as meninas. Mas essa movimenta\u00e7\u00e3o aumenta muito mesmo na Copa Mundo\u201d, disse ele, contando que j\u00e1 tem tr\u00eas \u00e1lbuns completos do Mundial e est\u00e1 terminando o quarto.<\/p>\n<p>Seu Nei explica ainda que ajuda as pessoas a completarem seus \u00e1lbuns. Ele anota numa caderneta o nome delas e quantas figuras de cada uma precisa para completar o livro e, assim, cruza as informa\u00e7\u00f5es. \u201c\u00c9 gostosa a satisfa\u00e7\u00e3o de saber que a pessoa completou o \u00e1lbum.&#8221;<\/p>\n<p>Ali, ao lado do militar, Mayara Barros, de 11 anos, tamb\u00e9m troca seus cromos, supervisionada pelo pai, que cuida pessoalmente da figurinha com a estampa do jogador Neymar Jr. A menina conta que seu primeiro \u00e1lbum foi o da Copa de 2010 e que s\u00f3 coleciona mesmo as figurinhas do Mundial. \u201c\u00c9 bom trocar, voc\u00ea conhece pessoas novas, e serve para guardar de recorda\u00e7\u00e3o. Meu pai tamb\u00e9m falou que se completar tudo, guardar e depois vender, fico milion\u00e1ria\u201d, projeta Mayara, dizendo que, em 2010, a maioria dos colecionadores era formada por meninos e que, este ano, h\u00e1 v\u00e1rias meninas para trocar em sua sala de aula.<\/p>\n<p>A Panini aproveita essa grande aceita\u00e7\u00e3o para criar uma nova gera\u00e7\u00e3o de colecionadores. \u201cSer\u00e1 algo inesquec\u00edvel para essa gera\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m para os adultos que viveram isso um dia. Afinal, depois de 64 anos, a Copa volta para o Brasil e nada melhor para recordar do que assistir aos jogos e completar o \u00e1lbum de figurinhas\u201d, informa a editora, em nota.<\/p>\n<p>Na capital paulista, um dos pontos de trocas \u00e9 o v\u00e3o-livre do Museu de Arte de S\u00e3o Paulo (Masp). Aos s\u00e1bados e domingos, \u00e9 poss\u00edvel encontrar colecionadores ao longo dos dias dispostos a completar o \u00e1lbum de figurinhas. Adultos, crian\u00e7as, idosos, homens, mulheres, o p\u00fablico \u00e9 heterog\u00eaneo. \u201c\u00c9 um p\u00fablico bem diverso e ajuda a integrar as pessoas. \u00c9 diferente do que a gente costuma ter normalmente\u201d, disse a analista financeiro Eliane Azevedo, que tem um \u00e1lbum junto com o filho Matheus, de 13 anos. Ela destaca que um dos valores positivos estimulados pelo troca-troca \u00e9 a solidariedade. \u201cAs pessoas ajudam umas as outras, mesmo que tenham que ficar com uma figurinha repetida. Isso \u00e9 muito bacana.\u201d<\/p>\n<p>A m\u00e3e de Jo\u00e3o Victor, de 9 anos, Cristiane Shiraishi, tamb\u00e9m acha que o movimento trouxe mais desenvoltura ao filho. \u201cEle \u00e9 muito introvertido. Aqui, ele tem que chegar, conversar e isso ajudou bastante\u201d, avaliou, ao destacar como positivo o fato de o menino deixar o computador para interagir com outras crian\u00e7as. No \u00e1lbum do Jo\u00e3o Victor ainda faltam mais de 100 espa\u00e7os em branco para ter toda a escala\u00e7\u00e3o das sele\u00e7\u00f5es mundiais.<\/p>\n<p>A psic\u00f3loga e professora da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp) Ilana Pinsky destaca o uso pedag\u00f3gico dos \u00e1lbuns de figurinha. \u201cOs meus filhos ensinam para mim coisas que eu n\u00e3o conhecia. As escolas tinham que usar isso muito mais do que usam, \u00e9 uma maneira muito interessante de ensinar v\u00e1rias mat\u00e9rias para eles, inclusive geografia. Por meio desse interesse pelo \u00e1lbum, os meus filhos conhecem n\u00e3o s\u00f3 diversos pa\u00edses e suas capitais, mas tamb\u00e9m cidades espec\u00edficas, porque sabem de onde cada jogador veio.\u201d<\/p>\n<p>Ela ressalta ainda que as trocas de figurinhas acabaram incentivando as crian\u00e7as a se afastar por um tempo dos eletr\u00f4nicos. \u201cEu tamb\u00e9m tenho percebido, como m\u00e3e e como psic\u00f3loga cl\u00ednica, que as crian\u00e7as t\u00eam se interessado de fato em tal n\u00edvel que t\u00eam deixado de lado, mesmo que momentaneamente, seus aparelhos [eletr\u00f4nicos], o que \u00e9 uma del\u00edcia. Eles est\u00e3o usando os mesmos tipos de brincadeiras \u2013 essa coisa de virar figurinha\u00a0 \u2013 que eu brincava e que, \u00e0s vezes, at\u00e9 nossos pais brincavam. Ent\u00e3o tem sido um momento muito gostoso e eu acho extremamente positivo.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Andreia Verd\u00e9lio e Camila Maciel, ABr<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem nunca abriu um pacote de figurinhas e esperou por aquela que finalmente iria completar o \u00e1lbum, n\u00e3o sabe descrever a emo\u00e7\u00e3o. Esse \u00e9 o sentimento de todo colecionador, novo ou antigo, que trabalha para completar o \u00e1lbum de figurinhas da Copa do Mundo do Brasil. E d\u00e1 trabalho mesmo. 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