Despe-te até a alma.
Descasca os títulos que a vida te colou no peito,
as medalhas invisíveis do prestígio,
os casacos de sucesso que ainda carregam o cheiro
dos corredores de poder.
Tira o peso das chaves que abrem portas
que nunca foram realmente tuas.
Despe os plásticos frios que compram
ilusões de segurança.
Arranca as etiquetas de seda e ouro
que gritam nomes que não são o teu nome verdadeiro.
Fica nu de história.
Nu de conquistas.
Nu de tudo o que o mundo te ensinou a ser.
Até que sobre apenas a pele quente e viva,
o tremor antigo que não precisa de explicação,
o desejo sem currículo,
o gemido sem sobrenome.
Até que reste só a deliciosa,
apimentada,
irredutível humanidade
essa que arde sem pedir permissão
e se entrega sem precisar de nenhum outro adorno.

