Quando fores fazer amor

Eduardo Martínez
1 minutos de leitura
Luzia Couto - Foto Francisco Filipino

Despe-te até a alma.

Descasca os títulos que a vida te colou no peito,

as medalhas invisíveis do prestígio,

os casacos de sucesso que ainda carregam o cheiro

dos corredores de poder.

Tira o peso das chaves que abrem portas

que nunca foram realmente tuas.

Despe os plásticos frios que compram

ilusões de segurança.

Arranca as etiquetas de seda e ouro

que gritam nomes que não são o teu nome verdadeiro.

Fica nu de história.

Nu de conquistas.

Nu de tudo o que o mundo te ensinou a ser.

Até que sobre apenas a pele quente e viva,

o tremor antigo que não precisa de explicação,

o desejo sem currículo,

o gemido sem sobrenome.

Até que reste só a deliciosa,

apimentada,

irredutível humanidade

essa que arde sem pedir permissão

e se entrega sem precisar de nenhum outro adorno.

Compartilhar
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *