Supremo precisa ser reinventado para poder voltar a ter espaço no Top 10

Redação
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Mathuzalém Júnior - Foto Valter Campanato

Diante de uma República esfacelada politicamente, economicamente deteriorada e socialmente dividida, o roteiro anunciado nesta terça-feira (15) pelo Supremo Tribunal Federal é o início do fim definitivo da Corte como poder moderador. Conceito criado na França por Benjamin Constant e instituído no Brasil pela Constituição de 1824, a ideia do então imperador era, por meio de um poder neutro, garantir a harmonia, a independência e o equilíbrio entre as instituições brasileiras durante o período imperial.

Duzentos e dois anos depois, eis que a figura de um destilador-geral de ódio contamina o plenário do STF a tal ponto que, sem conseguir fechar a Corte com um soldado e um cavalo, mesmo a distância, vem estimulando a cizânia entre os membros da estância maior do Poder Judiciário. Ainda que longe do pensamento dos dez ministros que compõem o atual plenário do Tribunal, está claro que o mal do STF não é falta de persistência dos ministros, mas a persistência da falta.

Salvo algumas raras exceções, a contaminação publicamente estimulada pelo falso profeta que chegou à Presidência gerou o entulho judicial que são as espúrias alianças da maioria dos ministros do Supremo com candidatos ao Palácio do Planalto. São as togas bolsonaristas, as petistas e as pessoais. Por conta desses conchavos de bastidores, o jurisdicionado, também conhecido por sociedade, ficou em segundo plano. Talvez em último.

É a velha tese chicoanisiana de que o objetivo comum é o de que o povo se exploda. Certamente os ministros A, F, M, N e T não se intimidaram com as eventuais críticas, com a exposição de suas biografias, com o enxovalhamento da instituição, tampouco se preocuparam com a condição de atores principais da Corte. Excetuando as exceções, as excelências se envolveram, sombriamente e de forma nada republicana com o irmãozinho Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

A promíscua relação gerou uma incontestável suspeita de que determinados bancos são entidades privadas que emprestam dinheiro exatamente àqueles que apresentam provas suficientes de que não precisam de dinheiro. Por conta disso, a exemplo dos políticos, a moral dos ministros hoje é como os elevadores: sobe e desce. Na verdade, em geral eles enguiçam por falta de energia ou então não funcionam definitivamente, deixando desesperados os infelizes que confiam neles.

Alexandre de Moraes sabe que não resistirá a uma investigação minuciosa e séria. Todavia, ele não é o único vilão do Supremo na questão Daniel Vorcaro. De acordo com as novas mensagens tiradas do celular do ex-banqueiro, o rabo de palha é muito mais longo e poderoso do que nossa imaginação alcança. Os prints tornados públicos também envolvem os filhos dos ministros Nunes Marques e Luiz Fux e misturam assuntos profissionais, encontros informais, festas, Carnaval e convites para programas pessoais.

Portanto, ainda que não haja nada de conclusivo no plenário, a lógica converge para a máxima de que, até prova em contrário, em parte, o STF de 2026 serve apenas como ponto de apoio para excrescências do tipo me diga o que me dará e eu o ajudarei como lhe convier. Sobre o jurisdicionado, o que ajuda a pagar o robusto salário das excelências, ele não passa de um detalhe. Resumindo, seja qual for o desfecho da sessão de hoje, o STF precisará ser reinventado, sob pena de se transformar definitivamente em um bloco carnavalesco com fantasias, enredo e passistas convexos, desconexos e sem disposição alguma para a nota dez.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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