Eleitor que escolhe presidente errado carrega peso do sofrimento

Redação
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Misael Igreja - Foto de Arquivo

Às vésperas de mais uma eleição presidencial, a segunda baseada na imbecilidade denominada polarização, o voto secreto nos obriga a refletir sobre o hoje tênue conceito de cidadania. Historicamente, ela, a cidadania, é iniciada soberanamente com a liberdade democrática do eleitor de escolher o candidato que mais lhe convém. A conveniência, porém, deve ser avaliada e reavaliada a partir de uma consulta prévia à consciência.

Afinal, escolher qualquer um sem capacidade ou embasamento político para a grandeza do cargo é suficiente para transformar em um inferno a vida do país. Em síntese, o preço de escolhas erradas são os frutos do arrependimento que, em sua grande maioria, é irrevogável. De forma mais didática, o erro pode gerar efeitos futuros intransferíveis para o eleito sem classe, mas terrivelmente sofríveis para a sociedade como um todo.

Objetivamente, ao escolher mal, boa parte do eleitorado nacional assume o desconhecimento a respeito do peso das escolhas, cujo resultado só será conhecido quando todos nos transformarmos em reféns das consequências dessas escolhas, sejam elas boas ou ruins. Portanto, após as eleições e, principalmente, durante o mandato do escolhido, não podemos chamar de destino o quantitativo de mazelas que tivermos de enfrentar.

Na tacanha polarização, pouco se pensa no bem-estar da população, tampouco na consolidação do país como pátria de todos. Para um lado ou para o outro, o custo do erro político é demasiadamente caro: é solidão, desânimo, descrédito, desgosto e cansaço do eleitor. À direita, à esquerda e ao centro, que não sejamos conduzidos pelo ruído das paixões, pela intolerância ou pelas aparências.

A ordem da consciência deveria ser a compreensão de que as escolhas individuais são o alicerce da construção do destino coletivo. Aproveitando a crise inescrupulosamente eleitoreira envolvendo o Supremo Tribunal Federal, se são ruins, os atuais membros da Corte são frutos das escolhas erradas do eleitorado nacional. Como elas normalmente degeneram, nada impede que cheguem a outros poderes. Pelo contrário.

Eleito pelo voto do povo, é o presidente da República o responsável pela indicação dos ministros do Tribunal. Lá chegando, alguns permanecem simpáticos aos “chefes”, mas votam conforme a lei. Outros, eternos devedores de quem os indica, mesmo contrariando a Constituição e os códigos, se acham no dever de agradar o “mestre”. Seria essa a razão da medonha e espetaculosa crise que, em tese, André Mendonça e Alexandre de Moraes enfiaram o STF? Seria se Lula fosse patrono de Moraes. Não digo o mesmo de Mendonça, amigo, aliado, eleitor e cabo eleitoral do clã Bolsonaro.

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Misael Igreja é analista de Notibras para assuntos políticos, econômicos e sociais

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