O Banco de Brasília continua sendo o assunto local com maior capacidade de alterar o ambiente político do Distrito Federal.
Até aqui, havia uma divisão relativamente confortável para o governo: o problema era grave, mas sua origem podia ser atribuída às administrações e aos dirigentes envolvidos nas operações com o Master.
A declaração atribuída a Vorcaro, citando a governadora, mexe nessa fronteira porque leva a discussão diretamente para Celina.
Não significa que a versão dele esteja comprovada. Significa que a versão dela passou a ser confrontada.
Esse detalhe importa numa campanha em que Celina procura apresentar continuidade administrativa sem necessariamente carregar integralmente o passivo político do governo anterior.
O BRB já era o principal obstáculo dessa operação. Agora pode tornar-se também um assunto pessoal da candidata.
Ao mesmo tempo, a criação da comissão para recuperação de ativos indica que o próprio governo começa a trabalhar com uma etapa posterior da crise: não apenas salvar o banco, mas tentar buscar de volta parte do dinheiro perdido.
O ponto central permanece, contudo, sem resposta completa. Antes de discutir quem pagará, o Distrito Federal ainda precisa saber exatamente quanto há para pagar.

