Lula põe futebol na marca do pênalti para evitar que pobre fique mais pobre

Redação
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@donairene13 - Foto de Arquivo

Lula anunciou que o governo pretende endurecer as regras sobre as bets e estuda proibir os jogos de cassino on-line, como o chamado “Tigrinho”. A reação de vários clubes de futebol foi, no mínimo, infeliz. Santos, São Paulo, Flamengo, Fluminense, Vasco, Botafogo e outras entidades publicaram um manifesto dizendo que restringir esse mercado não fará as apostas desaparecerem e poderá representar até “o fim do futebol brasileiro”. Os clubes alegam que o setor já se tornou uma importante fonte de receita por meio dos patrocínios.

O problema é que o futebol brasileiro existe há mais de 130 anos e atravessou praticamente toda a sua história sem depender de empresas de apostas. As bets chegaram recentemente e, de repente, alguns dirigentes falam como se o esporte não pudesse sobreviver sem elas. Os clubes são parte fundamental do futebol, mas não são donos dele. O futebol pertence também aos torcedores, aos atletas, às comunidades e a uma história construída muito antes de qualquer casa de apostas aparecer estampada nas camisas.

Além disso, a publicação soou como uma ameaça e demonstrou pouca sensibilidade diante de um problema social que já atinge milhões de brasileiros. Há famílias endividadas, pessoas enfrentando problemas relacionados ao jogo e uma preocupação crescente com o impacto das apostas sobre a renda familiar. É legítimo que os clubes se preocupem com suas receitas e defendam seus contratos, mas transformar essa preocupação financeira em uma espécie de ultimato — “sem bets, acaba o futebol” — parece ignorar justamente que quem sustenta o esporte há mais de um século é principalmente o torcedor.

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