Nunca na história recente deste país o povo ouviu tanto falar de corrupção e de corruptos como nessas últimas semanas. Como se fosse (e era) o dono da pátria chamada Brasil, no centro da orgia propriamente dita e da esbórnia com dinheiro sujo estava (e está) e ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o Vorcarinho para os mais chegados, entre eles candidatos à Presidência da República, ministros do Supremo Tribunal Federal, filhos e mulheres de membros da Corte, senadores, deputados, ex-ministros de Estado, empresários e prostitutas, muitas prostitutas estrangeiras.
Festinhas íntimas não configuram crime. Quem participou dos rala e rolas que tentem explicar o inexplicável às patroas e ponto. O que a Polícia Federal e os ministros realmente comprometidos com a verdade precisam descobrir é a engrenagem desenrolada a partir ou durante as orgias. Por conta das folias libertinas e devassas, o Brasil de 2026 sofre com o acúmulo de autoridades que deveriam ser acima de qualquer suspeita, mas que não conseguem provar um mínimo de ética, honestidade, isenção e imparcialidade.
O exemplo da crise na Corte Suprema é singular. Claramente dividido em grupos distintos, o STF se perdeu por causa daqueles que, sem preocupação alguma com o jurisdicionado, estão a serviço do próprio umbigo, da eleição ou da reeleição de seus patronos ou de seus parceiros políticos. Investigar parece não ser mais o foco das excelências, inclusive daquelas que pedem desculpas, choram, esperneiam, mas estão longe, muito distantes, de serem avaliadas como paladinas da Justiça.
Vergonha é um adjetivo até mimoso para o que estamos vendo na República, particularmente na Corte Suprema. Talvez o Brasil já tenha acabado e a gente não se deu conta disso. Será? Pode ser, principalmente se considerarmos como óbvia a tese do poeta contemporâneo Augusto Branco, para quem “As grandes autoridades no Brasil são tão imorais que “Vossa Excelência” virou um palavrão dos mais dignos”. O fato é que o eterno país do futuro não é para amadores.
Sobre essa coisa de futuro, é bom parafrasear Margareth Thatcher e lembrar aos nossos “comandantes” do Executivo, Legislativo e Judiciário que o “futuro” é amanhã. Desse modo, as decisões difíceis precisam ser tomadas hoje. Aí é que mora o problema! Como se livrar do fantasma de Daniel Vorcaro, de “Dark Horse” e das libertinas conversas do ex-banqueiro com seus ilustres e influentes próceres dos Três Poderes? Difícil! Mesmo preso, Vorcaro simboliza o que há de pior no Brasil de 2026, nação em que a mediocridade é mais do que objeto de adoração, é objeto de culto.
Enquanto o Supremo empurra com a barriga e com as togas o escândalo do Banco Master, sou capaz de afirmar que o recolhimento à Papudinha é um dos períodos mais tranquilos da insuspeita vida de Daniel Vorcaro. Afinal, faz dias, semanas, talvez meses, que nenhum figurão lhe cobra ingresso para show internacional, pede avião emprestado, lembra da liberação de ativos e passivos, exige cartões de crédito sem limites, implora por charutos e whisky importados e clama por bacanais sérios e previamente negociados com Dionísio, o deus grego do vinho, da loucura sagrada, do êxtase, do prazer e da liberdade. Tudo em nome da moral e dos bons costumes. Salve, salve povo brasileiro.

