Não me traga flores,
me leva ao teu jardim.
Quero o cheiro da terra molhada
ainda presa às tuas mãos,
o peso do sol sobre as pétalas
antes que alguém as corte.
Não me dês o que já foi colhido
leva-me onde as raízes se entrelaçam,
onde as abelhas ainda hesitam
e o vento escreve segredos nas folhas.
Quero o espinho e a seiva,
a sombra densa sob os ramos,
o silêncio que só existe
entre duas pessoas e um canteiro.
Não me tragas o presente embalado.
Abre o portão.
Deixa-me entrar descalço
no teu jardim.

