Os dados da pesquisa Quaest divulgados nesta segunda mostram que a crise envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro continua sendo percebida, antes de tudo, como um problema amplo: 37% dos entrevistados dizem que o caso afeta “todos”.
Mas esse percentual caiu em relação à pesquisa anterior, enquanto aumentou a parcela que associa diretamente o desgaste a Flávio Bolsonaro. Ele passou de 15% para 21% em uma semana, a maior variação entre os nomes e instituições medidos. O STF aparece com 16%.
Quando se observa a evolução da pesquisa, portanto, há uma mudança importante na percepção do escândalo: diminui a ideia de que o desgaste é simplesmente generalizado e cresce a associação com Flávio Bolsonaro e sua família. Ainda assim, os números não permitem dizer que o caso tenha um único atingido.
A própria Quaest mostra que diferentes grupos de eleitores enxergam responsabilidades e consequências de maneiras bastante distintas. Entre os eleitores de Lula, por exemplo, 46% dizem que o caso afeta negativamente a família Bolsonaro; entre os bolsonaristas, 37% apontam o governo Lula e 22%, o STF.
Também é importante separar repercussão política de mudança efetiva de voto. Apesar da enorme exposição do caso Master, 62% dos entrevistados afirmaram que o assunto não deve influenciar sua escolha eleitoral, enquanto apenas 7% disseram que podem mudar o voto por causa das denúncias.
Ou seja: a crise produz desgaste e disputa de narrativas, mas, até agora, a própria pesquisa sugere um impacto bem menor sobre a decisão eleitoral do que o tamanho da cobertura do escândalo poderia fazer parecer. A Quaest ouviu 2.004 pessoas entre 17 e 20 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais.

