Direita se engasga com presidente que rejeita ser serviçal de alguém

Redação
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Heliodoro Quaresma - Foto de Arquivo

Há quem não goste da forma como o PT se posiciona na política nacional. Há os que detestam o modus operandi dos petistas. E há aqueles que não se associam às causas da esquerda em defesa do trabalhador e dos menos favorecidos. A contrapartida é que há milhões de brasileiros que abominam o provincialismo e a cegueira da direita e da extrema-direita, cujos seguidores, mesmo sendo pobres, amam atender às ordens dos ricos. Como leigos em povo, eles são incapazes de perceber que ninguém alcança o estrelato sem apoio, sem escada e sem exploração.

Sei que no Brasil de 2026 – aquele do qual os bem situados econômica e financeiramente se achavam os donos do pedaço -, faltam bons entendedores. No entanto, sustentando a máxima de que, para bom entendedor, meia palavra basta, por mais que a elite e a burguesia achem o contrário, entre o amor e o ódio há Luiz Inácio Lula da Silva, político de alguns defeitos, desqualificados rancores, muitos amores e de numerosas virtudes. Só para ilustrar, não é qualquer político que é tricampeão na Presidência da República.

Muitos já tentaram essa façanha. Até agora, nenhum conseguiu. Caso o sol de primavera não se esconda, este ano ele pode ser tetracampeão este ano. Talvez eu também tenha alguma antipatia pelo petismo. Portanto, não estou adiantando voto, tampouco afirmando que Lula é merecedor de um quarto mandato. De tão contundente, o discurso que ele proferiu nessa terça-feira (22) na Assembleia Geral da ONU incomodou a gregos, baianos, norte-americanos e, sobretudo, a destrambelhados bolsonaristas.

Responsáveis pela candidatura da extrema-direita já recorreram à Justiça Eleitoral contra eventuais trechos do discurso na campanha do presidente que tenta a reeleição. Dizer que Lula transformou o pronunciamento na ONU em palanque político é passar recibo de que nada sabem, nada fazem e nada farão. Do que eles têm medo? Enfática, clara e corajosamente, Luiz Inácio apenas voltou a defender a soberania do Brasil e o princípio de não interferência dos Estados Unidos em assuntos internos, notadamente os políticos. Tudo que eles desejam

É crime um presidente patriota afirmar que o Brasil “não cabe no quintal de ninguém”? Minha referência é ao Lula retirante, vencedor, corajoso e estadista de ponta, tanto que vem incomodando a turma ou a trupe que avalia Donald Trump como a encarnação de Napoleão Bonaparte e vê os Estados Unidos como o paraíso na Terra. Nem uma coisa e nem outra. Lula é o que Trump e a extrema-direita brasileira e mundial odeiam, xingam, ameaçam, mas não têm como apeá-lo do poder.

Quanto a Trump, ao contrário do que imaginam seus serviçais internos e externos, a expressão que o retrata como “dono do mundo” ou “imperador” não é positiva. Pelo contrário, na medida em que ela reflete críticas à sua postura unilateral, que desafia o direito internacional, acordos globais e o multilateralismo. A chegada da primavera trouxe para o País Tropical um novo alento. Talvez a certeza de que sempre é melhor ter dois pássaros voando do que um na mão. Metáforas à parte, sejam de direita, de esquerda ou de centro, pelo menos os brasileiros sabem que, enquanto tivermos Lula da Silva, o Brasil não fará parte da lógica de subordinação latina ao poder dos Estados Unidos.

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Heliodoro Quaresma, jornalista aposentado, mantém uma velha Remington como troféu em sua estante, e usa um Notebook para escrever artigos pontuais para Notibras

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