Ameaça de ingerência externa nas próximas eleições faz urna eletrônica tremer

Redação
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@donairena13 - Foto de Arquivo

Depois de a Meta ter retirado do ar, ainda que temporariamente, a página que publicou o vídeo apresentado por Fábio Porchat sobre o caso Master, agora surgiu um novo episódio ainda mais delicado: a campanha de Lula informou que a empresa desabilitou sua conta de anúncios na reta final da eleição.

No caso do vídeo de Porchat, a própria Meta voltou atrás, restaurou a conta e afirmou que a retirada ocorreu após um erro interno. Já a campanha de Lula recorreu nesta quinta-feira, 24 de setembro, contra a suspensão de sua conta de anúncios e cobra explicações da plataforma.

É inevitável que episódios assim provoquem desconfiança. Estamos falando de uma das maiores empresas de tecnologia do mundo, controlando plataformas essenciais para a comunicação política, tomando decisões capazes de reduzir ou interromper a circulação de conteúdos e anúncios de uma campanha presidencial a poucos dias da votação.

Ao mesmo tempo, o TSE já investiga uma rede de perfis no Instagram que, segundo denúncia apresentada pela coligação de Lula, teria sido utilizada para ampliar conteúdos favoráveis a Flávio Bolsonaro; o tribunal determinou que a Meta preserve e forneça dados relacionados às contas investigadas.

Esses fatos parecem indicar um dos aspectos de uma possível intervenção dos Estados Unidos na eleição brasileira. E além disso, colocam novamente uma questão importante sobre soberania: até que ponto empresas estrangeiras podem ter tamanho poder sobre o debate público brasileiro durante uma eleição?

Se uma big tech consegue decidir, mesmo que temporariamente e alegando erro, quem pode anunciar, quem pode publicar e qual conteúdo permanece disponível, a discussão deixa de ser apenas sobre redes sociais. Passa a ser também sobre transparência, poder econômico e a capacidade do Brasil de proteger a autonomia de seu processo eleitoral.

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