De acordo com os registros da Justiça Eleitoral, dos 158,7 milhões de brasileiros aptos a votar, 22,1 milhões de eleitores estão cadastrados como voto facultativo. São os jovens entre 16 e 17 anos, maiores de 70 anos e os analfabetos, segmentos que representam 14% do contingente nacional de votantes. Considerando que, em 2026, deve se repetir o contexto das eleições de 2022, quando mais da metade dos eleitores não obrigados a votar foram às urnas, provavelmente será esse o contingente, associado ao eleitorado feminino, responsável direto pela definição do pleito presidencial de 2026.
É um perfil interessante e, assim como a rejeição a potenciais candidatos, decisivo por razões distintas, mas conexas. Marinheiros de primeira viagem, os mais jovens (9% do grupo) querem votar para carimbar o título. Baseados no histórico dever cívico do cidadão, os idosos (76%), além da preocupação com o exemplo para filhos e netos, se acham obrigados a participar da “festa” eleitoral. Conforme o cadastro eleitoral, os maiores de 70 anos concentram três em cada quatro eleitores incluídos no modo voto facultativo.
Como para alguns pode ser a última vez, certamente todos votam com a expectativa de que seja a penúltima. Quanto aos analfabetos (15%), o voto é quase uma obrigação, na medida em que eles usam o carimbo eleitoral para desfazer a imagem social de inocentes úteis. Para especialistas no assunto, o quantitativo de eleitores facultativos é importante, indispensável e, em algumas situações, fundamental em eleições disputadas voto a voto, como as de 2018 e a de 2022.
Em minhas andanças eleitorais, tenho observado que, especificamente em relação a esse público especial, a prioridade dos postulantes à Presidência da República e aos parlamentos federal, estadual e municipal são os idosos. Mesmo sem propostas consistentes, qualificadas e formalizadas, os candidatos, por meio de santinhos, comícios, carreatas e no corpo a corpo, têm investido em ladainhas relativas à saúde, transporte público, moradia, emprego e alimentação, temas antigos, comuns a todos o povo brasileiro, mas que, para a maioria do povo, não passam de promessas.
Como se trata de públicos envolvidos até à medula com o lazer, com o recesso do lar e com o descanso após a pesada labuta, os candidatos, antes de qualquer outra iniciativa, precisam, respectivamente, convencer os jovens, os idosos e os analfabetos a sair de casa em um domingo primaveril. No jargão político-eleitoral, será um convencimento duplo: sair de casa e votar. Como faltam propostas para a maioria, não será tarefa das mais fáceis. Os presidenciáveis pelo menos têm histórias para contar ou mentiras novas para inspirar os que têm medo da verdade. Por isso, eles devem levar alguma vantagem sobre os demais.
Um outro dado importante e também decisivo para os candidatos, particularmente os que almejam a Presidência da República, é que as mulheres são maioria entre os eleitores com voto facultativo, com um contingente de 12 milhões (54,3% dos 22,1 milhões), contra 45,6% de homens (10 milhões). Na totalização sem distinções, dos 157,8 milhões de brasileiros aptos a votar em 4 de outubro, as mulheres representam 52,84% do volume nacional de eleitores, ou seja, 83.877.126 de eleitoras. Mesmo que, para determinados entendedores nem meia palavra basta, mais uma vez as mulheres, os jovens, os idosos e os analfabetos elegerão o futuro presidente do Brasil. São brasileiros como todos os outros. Como não sou candidato a nada, devo lembrar a esses eleitores (as) que seus votos importam. E muito!
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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

