Se alguém perguntar quem sou…
diga apenas que sou um sopro de poesia antiga,
uma alma que transforma o silêncio em versos de seda
e faz do amor o idioma mais sagrado
que o universo ousou inventar.
Se perguntarem do que falo,
diga que falo do perfume da pele
ainda quente da brisa que a acariciou,
do vento que atravessa a alma como um beijo sem pressa,
da paixão que desafia o tempo
e do invisível que floresce, silencioso,
entre dois corações que se reconhecem.
Se perguntarem onde vivo,
diga que habito o peito de quem ainda acredita
que amar é a mais divina forma de existir,
e que minha morada é tecida de ternura lenta,
de desejo sereno como lago ao entardecer
e de eternidade que cabe num olhar.
Se perguntarem por onde caminho,
diga que caminho entre estrelas e luas abertas,
pelas noites em que os sonhos ganham asas de luz,
envolta pela magia que une céu e terra
como quem dança, descalça, com o próprio destino.
Se perguntarem onde estou,
diga que estou escondida em cada poema,
na lágrima que limpa e renova,
no sorriso que volta a nascer depois da dor,
no beijo ainda só sonhado,
no abraço que cura feridas antigas
e em toda palavra capaz de despertar a alma
do seu longo sono.
Se perguntarem no que acredito,
diga que acredito em Deus,
na luz que, paciente, vence toda escuridão,
na força do amor que atravessa vidas e tempos,
na espiritualidade que enlaça destinos
e nos milagres que florescem em silêncio absoluto,
porque tudo o que nasce do amor verdadeiro
carrega, em seu núcleo, um toque do Criador.

