Poesia antiga

Eduardo Martínez
2 minutos de leitura
Luzia Couto - Foto Francisco Filipino

Se alguém perguntar quem sou…

diga apenas que sou um sopro de poesia antiga,

uma alma que transforma o silêncio em versos de seda

e faz do amor o idioma mais sagrado

que o universo ousou inventar.

Se perguntarem do que falo,

diga que falo do perfume da pele

ainda quente da brisa que a acariciou,

do vento que atravessa a alma como um beijo sem pressa,

da paixão que desafia o tempo

e do invisível que floresce, silencioso,

entre dois corações que se reconhecem.

Se perguntarem onde vivo,

diga que habito o peito de quem ainda acredita

que amar é a mais divina forma de existir,

e que minha morada é tecida de ternura lenta,

de desejo sereno como lago ao entardecer

e de eternidade que cabe num olhar.

Se perguntarem por onde caminho,

diga que caminho entre estrelas e luas abertas,

pelas noites em que os sonhos ganham asas de luz,

envolta pela magia que une céu e terra

como quem dança, descalça, com o próprio destino.

Se perguntarem onde estou,

diga que estou escondida em cada poema,

na lágrima que limpa e renova,

no sorriso que volta a nascer depois da dor,

no beijo ainda só sonhado,

no abraço que cura feridas antigas

e em toda palavra capaz de despertar a alma

do seu longo sono.

Se perguntarem no que acredito,

diga que acredito em Deus,

na luz que, paciente, vence toda escuridão,

na força do amor que atravessa vidas e tempos,

na espiritualidade que enlaça destinos

e nos milagres que florescem em silêncio absoluto,

porque tudo o que nasce do amor verdadeiro

carrega, em seu núcleo, um toque do Criador.

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