A jornalista Andreia Salles apresentou uma plataforma política inteiramente dedicada à defesa da imprensa, ao combate à desinformação e à segurança dos profissionais de comunicação do Distrito Federal. Com diretrizes pautadas na escuta direta dos profissionais da área e na própria vivência jornalística, o projeto da candidata propõe medidas institucionais severas para frear a escalada de hostilidade contra repórteres, radialistas, fotógrafos e cinegrafistas na Capital Federal
Com uma trajetória profissional que se mistura à história recente da comunicação em Brasília, Andreia atua na área de comunicação no DF desde 1998. Formada pela Faculdade Hélio Alonso (Facha/RJ) e com pós-graduação em Jornalismo Digital pela Harvard School of Business, em conjunto com a Universidad de Navarra, a candidata — que também transita pela literatura como escritora de romances de época — utiliza sua experiência no mercado para fundamentar suas propostas. O período em que foi colunista de reputação, compliance e leis anticorrupção do Jornal de Brasília reflete-se diretamente no tom de suas pautas legislativas.
Com uma campanha eleitoral erguida sob a premissa de que “defender o jornalismo é defender a própria democracia” dentre os cinco compromissos principais, destaca-se a urgência na segurança física. A candidata propõe uma lei que obrigue a Secretaria de Segurança Pública a criar protocolos específicos para a PMDF e a PCDF, estabelecendo “zonas de segurança” para jornalistas durante coberturas de risco na Esplanada dos Ministérios e na porta de órgãos públicos.
A medida dialoga com episódios recentes de violência contra a categoria, como os ataques a profissionais da imprensa registrados nos últimos anos, eventos que a jornalista vem acompanhando e documentando de perto. Para garantir uma mudança estrutural, o projeto também sugere a inclusão de módulos sobre o papel da imprensa e o respeito ao exercício profissional na formação curricular dos policiais civis e militares.
No âmbito ético e legislativo, a candidata propõe uma emenda ao Código de Ética da Câmara Legislativa. O objetivo é tipificar como quebra de decoro parlamentar o incitamento direto à violência, o assédio sistemático ou a exposição de dados pessoais de jornalistas por parte de deputados, seja na tribuna ou em redes sociais oficiais.
Para combater o assédio judicial (lawfare), Andreia defende a criação de um observatório na CLDF, em parceria com o Ministério Público do DF. O órgão seria responsável por mapear agressões virtuais e físicas e processos abusivos contra jornalistas brasilienses, culminando na publicação de um Relatório Anual, com um ranking de agressores para dar visibilidade ao problema.
A saúde mental da categoria fecha o ciclo de proteção, com a proposta de prioridade no atendimento do SUS e dos CAPS para jornalistas que estejam sofrendo perseguição virtual ou que tenham sido vítimas de violência em coberturas de rua.
“Sou jornalista e por isso compreendo as dificuldades enfrentadas pela nossa categoria. Defendo, de forma intransigente, o direito de exercermos nossa profissão sem medo de agressões ou represálias”, afirma a candidata. “Brasília merece um jornalismo seguro e respeitado, afinal, democracia sem imprensa não passa de propaganda. É urgente termos de volta o pleno direito de questionar.”
Para além das medidas de proteção à categoria, a candidatura aposta na educação como ferramenta de longo prazo. A agenda de alfabetização midiática propõe a criação da “Semana Distrital de Valorização do Jornalismo e Combate à Desinformação” na rede pública de ensino do DF.
Outra proposta é o currículo de “Estudos de Mídia e Informação”, que terá como foco ensinar os jovens sobre o processo de produção de notícias e reposicionar o jornalista como um garantidor de direitos sociais. A proposta inclui a instalação de “Laboratórios de Checagem”, onde os estudantes analisarão conteúdos reais para identificar autoria, fontes originais e evidências contextuais, aprendendo na prática a diferenciar notícia, opinião e publicidade.

