Salles sai da disputa ao Senado para evitar que direita derreta em São Paulo

Redação
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@donairene13 - Foto Marcelo Camargo

A desistência de Ricardo Salles da disputa pelo Senado em São Paulo deixa bastante clara a estratégia da direita nesta reta final: reduzir a pulverização dos votos e concentrar forças em Guilherme Derrite e André do Prado. Salles anunciou nesta segunda-feira que abandona a candidatura e passa a apoiar justamente os dois nomes.

A movimentação faz sentido quando se olha para a última Paraná Pesquisas: Simone Tebet tinha 29,6%, Derrite 29,3%, Marina Silva 28,3% e André do Prado 25%, todos tecnicamente empatados dentro da margem de erro de 2,5 pontos. Salles aparecia mais atrás, com 10,6%.

Como São Paulo elege dois senadores neste ano, a divisão dos votos entre três candidaturas do mesmo campo político poderia acabar beneficiando justamente Marina e Tebet. Retirar Salles da disputa a poucos dias da eleição é, portanto, uma tentativa bastante evidente de reorganizar esse eleitorado e aumentar a concentração de votos em Derrite e André. Do ponto de vista da matemática eleitoral, é uma estratégia compreensível. O problema é que estratégia política também precisa vir acompanhada de responsabilidade com o dinheiro público.

E aí está o ponto mais incômodo dessa história. A campanha de Salles recebeu R$ 3,6 milhões dos diretórios nacional e paulista do Novo, sendo R$ 3,1 milhões provenientes de recursos públicos: R$ 2,3 milhões do Fundo Partidário e R$ 850 mil do Fundo Eleitoral. Cerca de R$ 1,7 milhão desse dinheiro público já havia sido gasto quando ele anunciou a desistência; o saldo não utilizado deverá ser devolvido.

É perfeitamente legítimo discutir estratégias eleitorais, retirar candidaturas e construir apoios. Mas também é legítimo perguntar se é razoável que uma candidatura seja financiada por milhões de reais, inclusive dinheiro do contribuinte, faça campanha durante semanas e, faltando poucos dias para a votação, simplesmente saia de cena em favor de outros candidatos. Estratégia pode fazer parte da política; prestação de contas e respeito ao recurso público também precisam fazer.

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