As Brabas encontraram pela frente as Soberanas. E, depois de seis anos de domínio quase absoluto do Corinthians, o futebol feminino brasileiro ganhou uma nova campeã. O São Paulo conquistou neste sábado, 3, o Brasileirão Feminino A1 de 2026, ao empatar por 1 a 1 com o rival no Morumbi e fazer valer a vantagem construída na primeira partida da decisão.
A taça foi conquistada com 3 a 2 no placar agregado. Uma semana antes, as Soberanas haviam conseguido uma façanha na Neo Química Arena: vitória de virada por 2 a 1, a primeira do São Paulo sobre o Corinthians no estádio alvinegro. Bastava, portanto, não perder em casa. E não perdeu.
O título tem dimensão ainda maior porque põe fim a uma dinastia. O Corinthians chegava à sua décima final consecutiva e perseguia o sétimo título seguido do Brasileiro. Desde 2020, nenhuma adversária conseguia arrancar a coroa das Brabas. Coube justamente às Soberanas interromper a sequência.
O São Paulo começou a decisão disposto a não administrar vantagem alguma. Aos 10 minutos, Aline Milene encontrou Bia Menezes, que avançou pela esquerda e bateu para o gol. A goleira Nicole não conseguiu evitar: 1 a 0 e explosão tricolor no Morumbi.
O Corinthians, porém, não carregou durante tantos anos a condição de maior potência do futebol feminino brasileiro por acaso. Reagiu rapidamente.
Aos 18, Carlinha se atrapalhou na saída de bola e Juliete aproveitou o presente para empatar. Era o combustível de que as Brabas precisavam. O 1 a 1 ainda dava a taça ao São Paulo, mas um segundo gol corintiano levaria a decisão para as penalidades e começou o sofrimento.
O segundo tempo transformou a goleira são-paulina na grande personagem da final. O Corinthians cresceu, pressionou e teve a oportunidade que parecia capaz de mudar a história do campeonato. Pênalti para as Brabas. Gabi Zanotti, uma das jogadoras mais experientes e importantes do time, colocou a bola na marca da cal.
Era a chance da virada. Carlinha tinha diante de si também a possibilidade de apagar o erro cometido no gol de Juliete. Gabi bateu mas Carlinha defendeu.
Em questão de minutos, a goleira atravessou os dois extremos que o futebol costuma reservar aos seus personagens. A falha que poderia persegui-la deu lugar à defesa que ajudou a escrever seu nome na história do São Paulo. Em sua 231ª partida pelo clube, tornou-se uma das protagonistas do primeiro título brasileiro das Soberanas no formato atual da competição.
Depois disso, o relógio passou a correr mais devagar para os tricolores e depressa demais para as corintianas. O Corinthians insistiu e o São Paulo resistiu até o apito final.
Não foi uma decisão qualquer. 49.405 pessoas foram ao Morumbi. O número estabeleceu novo recorde de público em partidas de clubes do futebol feminino no Brasil e, segundo registros da competição, também na América do Sul.
A marca anterior também pertencia a um São Paulo x Corinthians: 44.529 espectadores acompanharam a decisão de 2024 na Neo Química Arena.
Dois anos depois, a história se inverteu. Naquela ocasião, o Corinthians ficou com a taça. Agora, diante de uma massa majoritariamente tricolor, foram as Soberanas que deram a volta olímpica.
Oficialmente, é o primeiro título do São Paulo no Brasileirão Feminino no formato iniciado em 2013. Há uma página anterior nessa história: o clube conquistou uma competição nacional em 1997, mas aquela disputa pertencia a outra estrutura do futebol feminino brasileiro.
A conquista de 2026 também rende ao São Paulo R$ 2 milhões em premiação, valor recorde pago ao campeão. O Corinthians, vice, fica com R$ 1 milhão. Os dois clubes estão classificados para a Libertadores Feminina de 2027.
Mas dinheiro e estatística provavelmente serão detalhes na memória de quem estava no Morumbi. Ficarão a bola de Bia Menezes entrando no gol. A falha de Carlinha. O pênalti de Gabi Zanotti. A defesa da goleira. A pressão desesperada das Brabas. O relógio caminhando para o fim.
E, finalmente, o apito. Por seis temporadas consecutivas, o Brasileirão Feminino teve as cores do Corinthians. Neste sábado, as Soberanas derrubaram as Brabas, quebraram a hegemonia e pintaram o Brasil de vermelho, branco e preto, com a coroa mudando de cabeça.

