A Seleção Brasileira encerrou neste sábado (3) sua passagem pela Ásia e Oceania com uma goleada que vale mais pelo placar e pelas experiências do que propriamente como parâmetro para o futuro. Em Calcutá, diante de uma Índia muito inferior tecnicamente, o Brasil venceu por 4 a 0, com gols de Estêvão, Pedro e Samuel Lino, duas vezes.
Foi o primeiro confronto entre as seleções principais dos dois países. O amistoso também representou a 20ª partida de Carlo Ancelotti à frente da equipe brasileira. Antes de a bola rolar, o próprio treinador havia definido o encontro como oportunidade para testar jogadores, e não como uma “prova” para os convocados.
E foi exatamente isso que aconteceu. Sob forte calor e elevada umidade, o Brasil jogou boa parte da partida em ritmo de treinamento. Do outro lado estava uma seleção indiana que ocupa apenas a 138ª posição do ranking da Fifa, enquanto os brasileiros aparecem em sexto. A diferença entre as equipes ficou evidente, embora a Amarelinha tenha demorado para transformar a superioridade em gols.
Nos primeiros minutos, o Brasil controlou a bola, mas criou pouco. A resistência indiana acabou aos 28 minutos, quando Estêvão arriscou de fora da área e contou também com a colaboração do goleiro Gurpreet Singh Sandhu para abrir o placar. O jovem atacante voltou, assim, a deixar sua assinatura com a camisa amarela.
Aos 37, Pedro cabeceou na trave. Pouco depois, aos 42, o centroavante encontrou a rede e ampliou para 2 a 0, novamente em um lance no qual a defesa e o goleiro indianos não se entenderam. Brasil confortável, Índia sem força para reagir.
No intervalo, Ancelotti abriu de vez as portas do laboratório. O treinador promoveu uma série de mudanças e aproveitou o amistoso para observar diferentes formações. Ao longo do jogo foram dez substituições, evidência de que o resultado estava longe de ser a principal preocupação da comissão técnica.
Quem melhor aproveitou a segunda etapa foi Samuel Lino. O atacante entrou no lugar de Vini Jr. e, aos 58 minutos, aproveitou um erro na saída de bola da Índia para marcar o terceiro. Nos acréscimos, apareceu novamente e acertou uma forte finalização para fechar a goleada em 4 a 0.
A Índia ainda teve sua melhor oportunidade por volta dos 17 minutos da etapa final. A bola passou pelo goleiro Pedro Morisco, mas Mauro Júnior salvou praticamente sobre a linha, impedindo aquele que seria um gol histórico para os donos da casa.
A goleada cumpre seu papel estatístico. Para Ancelotti, entretanto, provavelmente interessará muito mais aquilo que pôde observar individualmente. O adversário ofereceu resistência limitada, e por isso seria precipitado usar os quatro gols como demonstração definitiva de evolução da Seleção. A Índia permitiu espaços, cometeu erros defensivos e pouco ameaçou o Brasil.
Nesse aspecto, os dois confrontos anteriores com a Austrália forneceram material mais significativo para análise. O Brasil começou esta Super Data Fifa empatando por 1 a 1 em Townsville, apresentou melhora na partida seguinte e venceu os australianos por 4 a 2 em Brisbane. Agora termina a sequência com o 4 a 0 sobre os indianos.
O saldo dos três amistosos é de duas vitórias, um empate, nove gols marcados e três sofridos. Mais importante para Ancelotti, porém, foi ampliar o número de jogadores observados e começar a separar aqueles que podem efetivamente permanecer no novo ciclo daqueles que tiveram apenas uma oportunidade circunstancial.
Calcutá não lotou
Havia ainda uma curiosidade fora das quatro linhas. A presença da Seleção pentacampeã despertou enorme expectativa na Índia, país onde o futebol brasileiro possui grande quantidade de admiradores. Segundo a CBF, cerca de 1,37 milhão de seguidores do perfil oficial da Seleção no Instagram são indianos.
Mesmo assim, o gigantesco Vivekananda Yuba Bharati Krirangan — o Salt Lake Stadium —, com capacidade informada pela CBF para aproximadamente 85 mil pessoas, não ficou lotado.
Foram pouco mais de 51 mil espectadores para assistir ao primeiro Brasil x Índia da história. Para os indianos, ficou a lembrança de uma noite rara diante da seleção mais vezes campeã mundial.
Para o Brasil, ficaram quatro gols, algumas experiências e poucas certezas. Uma delas é que o laboratório de Ancelotti continua aberto.

