Palavras ditas no silêncio

Eduardo Martínez
2 minutos de leitura
Luzia Couto - Foto Francisco Filipino

Chamo-te em silêncio, como quem sussurra a própria sombra.
Hoje, perdida na dor, a quem hei de amar?
O destino trocou minha paixão por analgésicos,
ou por uma canção que traz teu nome ser de luz
que leio a mim mesmo, sentado sob chuva que espelha a saudade.

Há um rugido no céu? É o vento conhecendo meu outono,
ou as minhas fantasias, traduzidas no olhar de uma deusa,
mensageira das noites onde habitam os sonhos.
Amanheço novamente neste labirinto a vida
sem culpa por já não te ter entre os passos.

Coração, prende-me à margem da tua alma.
Amei-te no silêncio das horas sombrias;
prometemos encher a vida de alegria e afeição,
crendo que o tempo guardaria teus risos esperança viva
Manhã das primaveras, espalhando perfume de dias fugazes.

Uma lágrima, agonia condensada numa gota de chuva
cai quando o sol nasce cedo.
Como o tempo é severo: chama-te em silêncio por detrás da tua ausência voraz.
Juramos eternidade, um amor bom para toda a vida;
como preencher este vazio que me atordoa?

Sinto um perfume e a cruz de lembranças a perseguir-me.
Já não sou teu paraíso pleno de surpresas;
sou o eco de promessas que o vento levou.
Ainda assim, em cada silêncio, meu chamado te busca
uma voz que insiste em nomear-te, mesmo sem resposta, ainda te amo!

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