Flávio Bolsonaro já fala abertamente em usar a nova maioria de direita no Congresso para mudar a Constituição de 1988. E é impossível ouvir uma declaração dessas sem preocupação. A Constituição Cidadã é justamente onde estão protegidos muitos dos direitos sociais, trabalhistas e das garantias democráticas conquistadas depois da ditadura. Quando alguém anuncia que pretende aproveitar uma maioria conservadora para reformá-la profundamente, é legítimo perguntar quais direitos estarão na mira.
E há algo ainda mais grave nesse discurso. Estamos falando de uma família cujo último governo terminou envolvido em uma tentativa de ruptura da ordem democrática. Poucos anos depois, o mesmo grupo político volta a conquistar enorme força no Congresso e passa a falar em mudar a Constituição e em “redemocratizar” o país. A palavra escolhida causa estranheza: redemocratizar o quê, exatamente? E a partir de quais valores?
Talvez essas sejam as perguntas mais importantes deste segundo turno. Quando um projeto político que sempre atacou pautas progressistas — direitos trabalhistas, proteção às minorias, políticas de igualdade e instituições de controle — consegue maioria parlamentar e anuncia que pretende alterar a Constituição, é preciso prestar atenção pois certamente essas mudanças não serão em benefício dos trabalhadores.


O miliciano vai entregar o Brasil para os EUA. Acorda, Brasil.