Lula fala com próprio umbigo e direita vai nadando de braçada nas urnas

Redação
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Mathuzalém Júnior - Foto Paulo Pinto

Embora nada tenha de bíblico, há um ditado popular indicando que, muitas vezes, as pessoas só aprendem uma lição ou se voltam para a fé e a mudança após passarem por grandes sofrimentos. Conforme esse provérbio, a sensatez, o equilíbrio mental, a lógica de pensamento e o arrependimento por eventuais escolhas erradas só são alcançados pelo amor ou pela dor. Por analogia com a política brasileira, o aforismo mostra que é nos momentos de distração ou de fragilidades do oponente que o competidor adversário mostra sua marca e suas garras.

Pior é quando, ilegal e politicamente incorreto, o concorrente se utiliza do que, equivocadamente, dizem e espalham do rival. Por exemplo, via redes sociais ou programas televisivos contrários ao governo da vez, os antagonistas afirmam que o presidente da República está destruindo o país. Entretanto, são incapazes de lembrar que, apesar dos números ampliados da inflação, o mesmo mandatário alcançou o menor índice de desemprego do país. Essa e outras iniciativas ou resultados positivos nem sempre a Globo mostra.

É a clássica ladainha de fariseus do tipo pastores evangélicos ou comentaristas de empresas jornalísticas convertidas ou vendidas aos extremos da política sobre a incompetência, a falta de lisura, o desleixo político, o abandono da economia, o paternalismo com os menos favorecidos, a surdez com os demais segmentos da sociedade e a antipatia do candidato que eles desejam derrotar. Infelizmente, o jogo é sujo, mas sempre fez parte da panelada política no Brasil. Assim nascemos e assim morreremos.

O complicado é perceber que o postulante a ser batido dá mole. Em outras palavras, mesmo achando que governa para todos, ele costuma falar, discursar e apontar somente para sua falange, esquecendo que, além da outra, há um conglomerado de pessoas que, sem lado definido, precisa ser acariciado e, no mínimo, informado de que o governo foi forjado sobre uma plataforma partidária, mas nunca alijará os diferentes do processo. Didaticamente, é conversar com todos e esquecer que os aliados e amigos já são aliados e amigos.

Baseados nesse “esquecimento” de que a política tem dois ou mais lados, os marqueteiros da direita se aproveitaram da ignorância de boa parte do eleitorado e da inércia da população de baixa renda e nadaram de braçada no mar do desconhecimento político. Usando as mais baixas e mais eloquentes técnicas de persuasão, o marketing do candidato que busca recuperar o poder para a família mostrou ao eleitorado de baixa renda que, para conter a perseguição dos comunistas, só uma agenda de enfrentamento, incluindo eventual ruptura com as instituições democráticas. Tudo isso por meio do voto direto e secreto do cidadão brasileiro.

Vencidos e vencedores no próximo dia 25 precisam ser informados de que a corrida presidencial de 2026 entrará para a história do país e do mundo como a mais degradante de todos os tempos. Sem propostas de governo, os dois principais candidatos que disputaram o voto dos quase 160 milhões de eleitores estavam envolvidos ou cercados por uma sucessão de escândalos. Inertes, tolerantes ou coniventes, boa parte desse eleitorado ignorou os fatos. Só para ilustrar, o eleitor do Distrito Federal reelegeu 80% dos deputados distritais que apoiaram a nebulosa compra do Banco Master pelo BRB, negócio barrado pelo Banco Central. É a prova dos nove contra os que insistem em dizer que sabem tudo, mas não sabem de nada, a começar pelo voto.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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