Onde as mulheres entram dona de casa e saem como uma nova Cinderela

Redação
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Myrtes D'Angelo - Foto Divulgação

Entre tesouras, secadores, esmaltes e pincéis, algumas horas de cuidados podem fazer mais do que mudar cabelos e unhas: ajudam a mulher a reencontrar a própria autoestima. Ela chega carregando no rosto as marcas de uma semana que parece ter durado um mês.

Trabalhou, cuidou da casa, resolveu problemas dos filhos, enfrentou trânsito, supermercado, contas e aquela torneira que decidiu pingar justamente quando ninguém tinha tempo para chamar o encanador.

Prendeu o cabelo como deu. Olhou rapidamente para o espelho. E foi. Então atravessa a porta do salão de beleza. Algumas horas depois, outra mulher parece sair dali. Ou melhor, a mesma mulher, só que reencontrada.

É um pouco dessa magia que ajuda a explicar por que salões de beleza ocupam lugar tão particular no cotidiano feminino. Não são apenas estabelecimentos onde se cortam cabelos, fazem-se unhas ou retocam-se raízes.

Para muitas mulheres, são uma espécie de intervalo da vida. Ali, durante uma ou duas horas, alguém cuida de quem passa grande parte do tempo cuidando dos outros. Como uma fada madrinha que usa secador, o ritual começa diante do espelho.

“Só as pontinhas”, diz a cliente., mas como o cabeleireiro conhece essa frase, depois vêm lavagem, corte, escova, hidratação e talvez uma nova cor. Na cadeira ao lado, outra mulher escolhe o esmalte como quem precisa tomar uma das decisões mais importantes do dia.

Vermelho? Nude? Rosa? E por que existem 47 tonalidades aparentemente idênticas de vermelho? Esses são mistérios da humanidade.

Aos poucos, o ambiente se transforma num pequeno palco de metamorfoses. O secador sopra, a tesoura trabalha, os pincéis deslizam e o espelho começa a devolver uma imagem diferente. Não necessariamente mais jovem, nem necessariamente mais sofisticada.

Apenas mais cuidada, e essa diferença importa, porque beleza também pode ser carinho consigo mesma

Durante muito tempo, cuidados estéticos foram tratados quase exclusivamente como vaidade. Hoje, há uma compreensão mais ampla de que reservar algum tempo para si também pode estar ligado ao bem-estar e à autoestima.

Isso não significa que mulher alguma precise de maquiagem, escova ou esmalte para ser bonita.

A questão é outra, já que ela pode escolher, pode pintar os cabelos ou assumir os fios brancos. Pode usar batom vermelho ou sair de rosto lavado. Pode querer unhas impecáveis ou simplesmente aparadas. Tanto é, que beleza deixa de ser obrigação quando se transforma em liberdade.

Talvez por isso a saída do salão tenha algo de cinematográfico. O cabelo parece balançar diferente, o passo ganha confiança e, por alguns segundos, até o reflexo numa vitrine merece uma segunda olhada.

A dona de casa que entrou continua sendo dona de casa. A médica continua médica. A professora, professora. A empresária, empresária. A aposentada continua carregando sua história. Nenhuma virou princesa, mas talvez todas tenham reencontrado a mulher que a correria diária havia escondido um pouco.

Cinderela precisou de fada madrinha, carruagem e sapatinho de cristal, mas a mulher contemporânea pode resolver parte da questão com uma cadeira confortável, um bom profissional e algumas horas reservadas para ela mesma. E há uma enorme vantagem, porque à meia-noite, o encanto não acaba.

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