Condomínios ganham espaço para famílias que procuram segurança e liberdade

Redação
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Margareth Paranhos - Foto de Arquivo

Portarias, controle de acesso, câmeras e áreas compartilhadas ajudam a explicar a procura por empreendimentos que oferecem várias camadas de proteção. Nos últimos anos um velho sonho da casa própria vem ganhando como complemento importante o desejo de chegar em casa sem medo.

É uma das razões pelas quais condomínios fechados, residenciais verticais e empreendimentos com controle de acesso exercem forte atração sobre famílias que procuram conciliar conforto, convivência e segurança.

Não existe endereço absolutamente imune ao crime. Nem portões, câmeras ou vigilantes autorizam a promessa de risco zero. Mas a lógica condominial permite criar sucessivas barreiras.

Portaria, identificação de visitantes, controle de veículos, câmeras, iluminação das áreas comuns, comunicação entre moradores e protocolos para entregadores e prestadores de serviços formam uma rede que uma residência isolada nem sempre consegue reproduzir com a mesma facilidade.

A tecnologia, claro, ampliou essa proteção. Há condomínios utilizando reconhecimento de placas, biometria, aplicativos para autorização de visitantes, sensores e monitoramento eletrônico. Em alguns casos, moradores acompanham pelo celular movimentações relacionadas ao próprio apartamento ou residência.

Mas nenhum equipamento substitui o comportamento humano. De pouco adianta investir fortunas em tecnologia se um morador deixa o portão aberto, autoriza desconhecidos sem confirmação ou ignora regras básicas de segurança.

O condomínio oferece ainda outra característica valorizada por famílias: a possibilidade de utilizar áreas de lazer sem necessariamente sair do perímetro residencial.

Crianças podem encontrar outras crianças. Há piscinas, quadras, academias, salões, brinquedotecas e espaços de convivência em muitos empreendimentos. E para idosos, a proximidade de vizinhos e funcionários pode acrescentar sensação de amparo. Para quem trabalha em casa, estruturas compartilhadas como coworkings começam a aparecer com frequência crescente nos projetos contemporâneos.

Isso não significa ausência de problemas, porque vida em condomínio cobra literalmente seu preço. Taxas mensais, assembleias, regras de convivência, limitações para obras, conflitos entre vizinhos e discussões sobre animais, barulho e vagas de garagem fazem parte do pacote.

O preço da estrutura coletiva é aceitar que, depois da porta de casa, existem espaços pertencentes a todos. Existe ainda uma ferramenta de segurança que nenhuma câmera conseguiu tornar obsoleta: conhecer quem mora ao lado. Comunidades nas quais vizinhos se reconhecem tendem a perceber com maior facilidade comportamentos e movimentações incomuns. Funcionários treinados e moradores atentos fortalecem essa rede e talvez seja essa a principal diferença.

Um condomínio seguro não é apenas um conjunto de muros, mas um sistema formado por arquitetura, tecnologia, procedimentos e pessoas. Muros podem dificultar a entrada de quem não deveria estar ali. Câmeras podem registrar movimentos. Portarias podem controlar acessos.

Mas segurança residencial continua dependendo de algo muito mais simples, que atende pelo nome de prevenção. A família quer fechar a porta à noite e dormir. E, numa sociedade em que tranquilidade se tornou um dos bens mais desejados, morar sem sustos talvez seja um dos maiores luxos que uma casa possa oferecer.

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