Das mansões dos Lagos aos jardins suspensos, Brasília tem formas de morar no luxo

Redação
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Margareth Paranhos - Foto de Arquivo

Casas cercadas pelo verde, coberturas transformadas em verdadeiros oásis e apartamentos cada vez mais sofisticados mostram que morar bem na capital ganhou novas dimensões. É certo que Brasília nasceu monumental, e talvez por isso até o conceito de morar bem tenha adquirido, ao longo das décadas, proporções igualmente generosas.

Nos Lagos Sul e Norte, mansões escondidas atrás de muros e jardins continuam simbolizando uma das faces mais conhecidas do alto padrão brasiliense. São terrenos amplos, piscinas, varandas, áreas gourmet, árvores adultas e projetos arquitetônicos nos quais concreto, vidro, madeira e vegetação procuram conviver com o horizonte aberto do Cerrado.

Mas o luxo brasiliense subiu alguns andares. No Plano Piloto, Sudoeste, Noroeste e até na verticalíssima Águas Claras, coberturas transformaram os terraços dos edifícios em uma espécie contemporânea — guardadas todas as proporções históricas — dos lendários Jardins Suspensos da Babilônia, tradicionalmente associados ao rei Nabucodonosor II.

É o verde conquistando as alturas, onde coberturas os vasos deram lugar a árvores, pequenos bosques, pergolados, espelhos d’água, piscinas, jardins verticais e espaços de contemplação. O que antes era simplesmente a parte superior de um prédio tornou-se quintal particular suspenso dezenas de metros acima do chão.

A mansão deixou de ser apenas horizontal e essa transformação revela uma mudança interessante no conceito de residência de luxo.

Durante muito tempo, mansão era quase sinônimo de terreno enorme, muitos quartos, piscina e jardim. Hoje, metros quadrados continuam importantes, mas privacidade, paisagismo, iluminação natural, tecnologia, conforto térmico e integração entre ambientes passaram a pesar tanto quanto o tamanho.

Uma cobertura pode reproduzir várias experiências de uma grande casa: piscina, churrasqueira, jardim, escritório, academia e espaços para receber amigos. Com uma diferença fundamental: tudo isso pode estar no décimo, vigésimo ou trigésimo andar.

Em Águas Claras, onde a verticalização praticamente desenhou a identidade urbana, olhar pela janela de alguns apartamentos é enxergar outra cidade lá embaixo. No Noroeste, projetos contemporâneos procuram dialogar com sustentabilidade e paisagismo. No Sudoeste e no Plano Piloto, coberturas aproveitam localizações consolidadas para oferecer espaços de lazer particulares.

Enquanto isso, Lago Sul e Lago Norte preservam outro privilégio difícil de reproduzir nas alturas: terreno. Ali, o luxo pode estar no gramado em que uma criança corre, na árvore que cresceu durante décadas, na piscina cercada de vegetação ou no silêncio de uma varanda ao entardecer.

O verdadeiro luxo pode ser respirar, porque curiosamente, depois de tantos mármores, automações, elevadores privativos e equipamentos sofisticados, a arquitetura residencial parece redescobrir uma riqueza muito antiga: a natureza.

Quanto mais urbana fica a vida, maior parece ser o desejo de trazer árvores para perto. E assim Brasília produz um curioso encontro entre passado e futuro.

De um lado, mansões espalhadas às margens do Paranoá e pelas áreas residenciais dos Lagos. De outro, jardins particulares que sobem pelos edifícios e parecem desafiar o concreto.

Talvez Nabucodonosor, diante de algumas dessas coberturas, reconhecesse a ideia. Mudaram os materiais, os elevadores e a tecnologia. O desejo humano de construir um pequeno paraíso ao redor de casa continua exatamente o mesmo.

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