Com o Brasil bem próximo de suas gananciosas mãos, Donald Trump foi o grande vencedor das eleições presidenciais de 2026. Com a promessa de alguns carrinhos de plástico, meia dúzia de saquinhos de pipoca e um engradado de picolés sabor dólares, o presidente norte-americano se prepara para, em janeiro de 2027, assumir, de fato e de direito, o controle do ex-país das maravilhas, o ainda Brasil do sol e do mar. Do outro lado do mundo, atentas à movimentação Brasil-Estados Unidos, China e Rússia observam, calculam, se movem e esperam o melhor momento para reagir.
Enquanto isso, o valor da negociação com Trump desponta como algo muito abaixo do irrisório. No sentido oposto, o custo será altíssimo para o povo brasileiro. Os brasileiros aguardam confirmação até pelo menos até 29 de janeiro, quando vence o mandato de Trump. Como ele não pode mais se candidatar e provavelmente será substituído por um (a) democrata, duela a quien duela, tudo voltará ao normal para os brazucas e para seus principais aliados. Isso se ele não perder o poder em novembro, mês em que terá de enfrentar a eleição de meio mandato.
Conforme as boas e más línguas, Trump deve perder a maioria no Congresso, consequentemente a tinta de sua grossa caneta. É claro que em dois anos de governo de extrema-direita o estrago sofrido pelo Brasil deverá ser irremovível ou, como dizem os menos otimistas, irreversível. Com aval do mesmo povo que sofreu numerosas dificuldades por longos quatro anos, o outro grande vencedor foi o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro. Capataz de um Congresso com 28 senadores e 121 deputados, o Partido Liberal de Valdemar Costa Neto terá condição de eleger os futuros presidentes da Câmara e do Senado, de indicar e de impichar ministros do Supremo Tribunal Federal e de aprovar até o afogamento do ganso no Mar Morto.
Não à toa, a maioria dos eleitos, incluindo os seis governadores da legenda, já trata o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro de excelência. É a expectativa da ampliada bancada do PL com a possibilidade de Flávio Bolsonaro apresentar a PEC acabando com a coisa chamada reeleição. A se confirmar o melodioso anúncio do presidente eleito, com a saúde plena e sem rasuras e o fôlego absolutamente recuperado, seu pai certamente será o candidato da extrema-direita em 2030.
A menos que ele não aceite e, no caso de um segundo mandato de Flávio, tope um cargo honorífico no exterior. Tudo isso na hipótese de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva jogar a toalha ou não conseguir reverter o terrível quadro do primeiro turno. Como a política realmente é a arte do possível, tudo pode acontecer até o próximo dia 25. Se nada der certo para o petismo, voltaremos à fase da espetacularização presidencial e da massagem diária ao ego de quem já fala como dono do mundo. Não há alternativa para Lula da Silva.
É tudo ou nada. Ou Lula respira fundo, sai das cordas e ocupa as redes sociais ou em breve seu nome não passará de verbete nas principais publicações nacionais e internacionais. É assim que gira a roda da política brasileira. Pouco importa o que Lula já tenha feito pelo país e pelo povo brasileiro. Infelizmente, a regra é clara: Quem não é visto, não é lembrado. Como contrapartida, mesmo desacostumado às estripulias de ocupantes do Palácio do Planalto, o Brasil voltará a subir no trio elétrico, passear de jet sky, programar motociatas e a ouvir discursos contra a democracia. Tudo com aval de expressiva parcela do povo.
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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

