Conforme o veredito da espiritualidade, na vida física as pessoas não se encontram à toa. Cada criatura que cruza nosso caminho traz algo para nos ensinar, seja por meio de momentos bons (afeto e parceria) ou de desafios (superação e reflexão). A verdade é que ninguém passa pela vida do outro de modo totalmente neutro. Por mais simplória, tênue e passageira que seja, qualquer relação deixa em um a marca do outro. Grandes pensadores da história nos deixaram reflexões marcantes sobre inteligência e genialidade. É neles que busco informações para escrever sobre algo ou sobre alguém.
Albert Einstein, por exemplo, associa a caminhada na direção oposta ao toque de gênio e de coragem. Mais objetivo em relação à minha narrativa, Aristóteles sempre viu a genialidade entrelaçada com a doçura. Leigo e eterno aprendiz de feiticeiro, uso minha sensibilidade para procurar no sentimento alheio novas formas de conhecimento. Foi o que encontrei em uma simples foto de uma menina carinhosamente ao lado de um senhor. Coincidentemente, os dois fazem parte de minha história.
Aos nove anos, completados nesta terça (13), Lyssa Seabra e Carlos Ayres Britto, cada um a seu tempo, conseguem incorporar, com a tranquilidade dos sábios, a tese de Leonardo da Vinci, para quem aprender é a única coisa de que a mente nunca se cansa, nunca tem medo e nunca se arrepende. Do alto de minha orgulhosa simplicidade, vou além e, também me valendo das máximas de da Vinci, afirmo que o conhecimento torna a alma jovem e diminui a amargura da velhice. Foi assim que vi Lyssa e é assim que sempre verei Carlos Ayres Britto.
Derivado da mitologia grega e diminutivo do inglês Alyssa, o nome Lyssa, a neta do meu irmão José Seabra, tem variados significados. O principal deles é o germânico, que estabelece para Lyssa uma qualidade e uma linhagem nobre. Não bastasse também ter sido uma deusa menor na Grécia antiga, daquelas que personificavam o frenesi e a raiva descontrolada, Lyssa é homônima da escritora e ex-jornalista norte-americana Lyss Kay Adams, autora de obras contemporâneas, entre elas o Clube do Livro dos Homens.
Adolescente precoce, a filha de minha sobrinha Rebeca Seabra, está bem acima de seu tempo. Embora pense e aja em inglês, ela sonha como menina, estuda, raciocina e conhece história como poucos adultos. Qual de nós já se avistou com o jardim de Nabucodonosor II? Lyssa já. Tanto que comumente vincula o pequeno jardim do avô ao do segundo e maior rei do Império Neobabilônico. Nada de anormal para quem usa o Google e as redes sociais como mecanismos exclusivamente de informação.
Portanto, vê-la ao lado do professor, poeta e ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal Carlos Ayres Britto não é surpresa alguma. Sem margem de erro para cima ou para baixo, diria que é o encontro dos gênios de ontem e de hoje. Na verdade, de sempre. Como Deus sempre me colocou junto aos bons, tive o prazer e a honra de marchar ao lado de Carlos Ayres Britto na presidência de um Tribunal Superior Eleitoral que ainda se preocupava em atender prioritariamente ao eleitorado brasileiro.
Claro que, aproveitando a veia poética do chefe Ayres Britto, no vaivém da vida e da profissão, diariamente me lembro de duas frases que ajudaram a lapidar tanto meu caráter quanto o comportamento: Não viva para que sua presença seja notada, mas para que sua falta seja sentida (Bob Marley) e Sonhe como se fosse viver para sempre, viva como se fosse morrer amanhã” (James Dean). Infelizmente, ambos morreram muito jovens, mas deixaram grandes ensinamentos que eles mesmos não aprenderam. Um deles é que a melhor fase da vida é a que vivemos. Esse eu transformei em mantra. Por isso, o aplico todos os dias. Parabéns, Lyssa. Vida longa, poeta, ministro e mestre Carlos Ayres Britto.
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Armando Cardoso é presidente do Conselho Editorial de Notibras

