Até agora ninguém ganhou nada, e ninguém também nada perdeu

Redação
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Mathuzalém Júnior - Foto de Arquivo

A 13 dias do juízo eleitoral, tanto o otimismo de uma das campanhas quanto o pessimismo da outra devem ser analisados com ressalvas. Ainda que os expressivos números do primeiro turno sejam considerados acima de relevantes, me parece de mau agouro afirmar que a candidatura A já ganhou a eleição presidencial. Com os mesmos olhos que assisti a um boxeador metido a dançarino perder uma luta para um lutador mequetrefe, vi um time de futebol empatar um jogo depois de perder o primeiro por 5 a 1 e ganhar a classificação nos pênaltis.

Evidentemente que um dos dois candidatos presidenciais está nas cordas. A expressão sair das cordas vem do boxe e representa o momento em que o lutador consegue escapar de uma situação de encurralamento e desvantagem para dar a volta por cima. A exemplo do cotidiano, na vida política o termo significa superar momentos difíceis, crises ou pressão extrema. Apesar de nunca ter entrado em um ringue, diria que estar nas cordas pode ser apenas uma posição temporária, não o fim da luta.

Os 53,8 milhões de eleitores que apoiaram a candidatura B têm consciência de que o candidato está encurralado. Craques na arte de jamais baixar a guarda, os quase derrotados sabem que canto do ringue não é destino, mas aprendizado. Por isso, independentemente do que ocorra no dia 25 de outubro, a ordem de B contra A é pressionar o play e mostrar aos vencedores ainda sem troféu que estar acuado força a qualquer um a focar exclusivamente no que importa: a saída.

O fato é que, enquanto uns encurralam, outros aprendem a se esquivar. Como o segredo para sair das cordas não é a força bruta, mas o passo lateral estratégico, lembro aos que já se inebriam com o perfume do poder que uma luta ou uma partida de futebol só termina quando ela acaba. A disputa entre A e B ainda não acabou. Portanto, nesse complicado e labiríntico xadrez político, a melhor escolha é a prudência, algo como cautela e caldo de galinha.

A insana busca pelo voto dos que se abstiveram ou votaram branco e nulo entrou na fase decisiva. É o período em que os nervos estão à flor da pele. Qualquer imagem sem áudio se transforma em um cabo de guerra. Daí a necessidade de se pensar primeiro para depois, bem depois e munido de provas, acusar o verdadeiro causador da falha. Antes de recorrer ao parcial cobertor da Justiça Eleitoral, é preciso analisar os riscos, de modo a evitar erros, problemas ou arrependimentos.

Não há dúvida de que o contexto nacional é de descrédito generalizado. É justamente esse o facilitador de quem se apresenta com um discurso de mudança. O problema é que nem todo o eleitorado se encanta mais com os assobios desconexos da sereia. Ou seja, dizer que vai trocar a picanha pelo salmão na mesa do povo é o mesmo que usar a mentira duas vezes. Como em qualquer disputa, que vença o melhor, desde que vença limpa e democraticamente.

Por enquanto, conforme uma política brasileira do tipo trava-língua, A e B precisam se conter, pois até agora ninguém ganhou nada porque ninguém nada perdeu. Por ora, como as urnas do segundo turno permanecem fechadas, A e B têm contra e a favor a experiência em governar e a voluntariosa vontade de se mostrar capaz. Mais uma vez, a última palavra será do eleitor, cujo maior desejo é ver o Brasil como país de todos os brasileiros.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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