Desilusão vira arma do voto na dança da eleição onde quem vê futuro rejeita passado

Redação
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Mathuzalém Júnior - Foto Pulo Pinto

Entre as numerosas peculiaridades das eleições brasileiras, uma das mais óbvias é a descrença do povo com os políticos. Uma rápida pesquisa nas redes sociais e conversas informais com dezenas de eleitores com um mínimo de inteligência me levou à triste constatação de que hoje o vocábulo que mais se aproxima da política é desilusão. Eu me incluo nessa longa lista de desiludidos. Entretanto, por dever de ofício e por razões de foro íntimo, este ano mais uma votarei no candidato que priorizar o Brasil.

Depois de votar em todas as eleições presidenciais possíveis, meu desencanto também começa nas falsas promessas e termina após a posse, quando o eleito normalmente deixa de cumprir tudo que prometeu. Atualmente, pior do que as promessas não cumpridas são as mentiras que pululam ao centro, à esquerda e teimosamente à direita. Elas variam da falta de confiança nas urnas eletrônicas a invenções a respeito da índole dos adversários.

Tenho consciência de que o maior desalento é a certeza de que uma parcela bastante razoável do eleitorado participa ou é cúmplice das mentiras e da avalanche de boatos espalhados pelos candidatos que eventualmente apoiam. No fim dessa confusão diária, em quem acreditar? Como ser humano falível, às vezes nem em mim mesmo. Sobre acreditar em políticos, com uma boa peneirada, talvez sobre um. No máximo!

Alguns até têm algum projeto de governo, mas, em decorrência da chamada ideologia, a maior idiotice da política nacional, boa parte é barrada no Congresso eleito exclusivamente para isso. Se tiverem dúvida, avaliem os congressistas eleitos no dia 4 de outubro. Para piorar, o atual cenário político nos obriga a conviver com uma medonha pulverização partidária.

São 23 legendas registradas na Justiça Eleitoral, a maioria criada unicamente para participar do robusto Fundo Eleitoral. Diante dessa sopa de letrinhas, como me sentir representado por uma dessas $iglas? Não sou e não quero ser. Na verdade, votar hoje é sinônimo de tanto fez, tanto faz. Não tenho mais obrigação de votar. Todavia, enquanto viver não serei incluído na relação dos brasileiros que prefere o caos à segurança democrática.

Posso votar errado, mas entendo que o voto é minha arma contra os que se opõem à soberania da nação. A desilusão com a política e com os políticos é fato. Porém, ela não deve respingar na democracia. Fazendo minhas as palavras do escritor José de Alencar, o voto não é, como pretendem muitos, apenas um direito político. Ele é mais do que isso, é uma fração da soberania nacional. Em síntese, o voto é o cidadão. É o que eu sou.

Mesmo que não haja reciprocidade, considero que cada voto é uma semente. Daí eu achar que plantar em nome dos mais necessitados é colher um futuro de igualdade. Como todo brasileiro que se orgulha da pátria, morrerei acreditando que só haverá mudança política no dia em que o eleitor tiver consciência de que o voto é sua maior arma para eleger um político digno e honesto. Eles parecem extintos, mas acreditemos no Mestre. Até lá, oremos. E muito!

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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