Democracia é a grande vencedora das eleições

Redação
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Sonja Tavares - Foto Rafa Neddermeyer

Na vida de qualquer cidadão brasileiro e do mundo há sempre os melhores e os piores dias de suas existências. Nesta segunda-feira (26), day after das eleições brasileiras, metade do país comemora a vitória e metade lamenta uma derrota que não estava programada. Este é o resultado do apagão gerado pela idiota polarização político-ideológica. Com base no foguetório e nas provocações de um lado e no chororô de outro, não há mais dúvida de que o Brasil de 2026 deixou de ser exclusividade do povo brasileiro.

A virada de Lula da Silva foi histórica. Tão histórica que, temporariamente, nos fez esquecer quase uma década em que a nação, em meio às comemorações e lamentações, está dividida entre petistas e bolsonaristas. O pouco que sobra tem vivido ora com a cruz, ora com a caldeira. Como cachorro que corre atrás do rabo, definitivamente o centro vestiu a histórica fantasia de Maria vai com as outras, ou seja, quem oferecer mais vantagens garante o apoio político do chamado Centrão.

Ainda é cedo para cravar se o Brasil que saiu das urnas nesse domingo (25) será o país do futuro ou do retrocesso. Não há que se falar em fraude, golpe judiciário ou coisas afins. Perderem e ponto. O caminho a ser seguido foi determinado por eleitores livres, soberanos e supostamente conscientes. Portanto, o que vier é culpa desses mesmos eleitores. Por enquanto, o que se pode dizer é que, envenenada à última potência, a disputa eleitoral envolveu o bom velho e o novo nem tanto, a situação e a oposição, a tolerância e a intolerância.

O que não podemos dizer, tampouco pensar, é que a odiosa divisão entre pessoas de um único solo e com a mesma língua degenere e nos leve, brasileiros e brasileiras, ao fundo de um poço, cuja água certamente não conseguirá saciar a sede de todos. Temos cores, raças, religiões, talentos, condição social, opção sexual, temperamento, paixão esportiva e política diferentes. Entretanto, queiramos ou não, somos iguais e igualmente filhos da Pátria Amada.

Aliás, o principal registro é que, como o amor da democracia é o da igualdade, ela não costuma gerar guerras.  Necessidade vital da alma humana, a primeira igualdade a ser observada pelo presidente eleito é social, que é a base da felicidade humana. Na sequência, a justiça deve valer indistintamente para pobres, ricos, brancos, negros, eleitores ou políticos. Como dizia o mestre dos mestres Rui Barbosa, a regra da igualdade não consiste senão em “quinhoar” desigualmente aos desiguais, na medida em que se desigualam.

Embora saiba que um dia de votação vale quatro anos de mandato, tenho plena consciência de que, no esporte, nas licitações e na política, os resultados têm de ser respeitados. Por isso, mais do que nunca me transformei simbolicamente em um defensor da tese filosófica de que a felicidade não está prioritariamente na igualdade dos pensamentos, mas sim na superação das diferenças. Resumindo, defendo um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres. Assim é a democracia, uma constituição agradável, anárquica, variada e distribuidora de igualdade. A democracia foi a grande vencedora desta eleição.

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Sonja Tavares é Editora de Política de Notibras

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