Onda Azul democrata tira de Trump os imaginários poderes de imperador

Redação
Redação
4 minutos de leitura
Armando Cardoso - Foto Reprodução/X

Autoaplicável, aquele famoso provérbio “Quem quer muito traz de casa” caiu como um míssil sobre a suíte presidencial da Casa Branca. Os estilhaços foram sentidos nos arredores da House White, principalmente na Secretaria de Estado dos Estados Unidos e nas embaixadas da Argentina, de Israel, El Salvador e Venezuela. O lead da narrativa de hoje é comemorativo para a maioria esmagadora dos 8,3 bilhões de terráqueos.

De lavada, o presidente republicano Donald Trump perdeu a maioria na Câmara e no Senado e ainda levou uma rasteira dos democratas em pelo menos 22 dos 36 estados nos quais houve eleição. Terríveis para Donald Trump e Elon Musk, os números são ótimos para Luiz Inácio Lula da Silva e iranianos, péssimos para Benjamin Netanyahu, Javier Millei e Nayib Bukele, o líder salvadorenho, e medonhos, quase expulsórios, para o clã Bolsonaro e seus agregados homiziados na terra de Tio Sam.

Há males que vêm para o bem. Foi o caso da bisonha derrota de Trump nas eleições de meio de mandato, as chamadas Midterms, normalmente avaliadas como um referendo para o mandato do ocupante da principal cadeira da Casa Branca. Arrastado pela Onda Azul democrata, Trump perdeu no Texas, no Kansas e na Virgínia, redutos históricos dos republicanos. Tudo como cá, no País Tropical, a terra onde se plantando, tudo dá. E deu!

No Brasil, Lula ganhou em Minas Gerais, na capital paulista, deitou e rolou no Norte e no Nordeste e ainda faturou votos importantes no Rio Grande do Sul, Paraná e Distrito Federal, ex-monopólios do bolsonarismo. Resumindo, Lula ganhou, os Bolsonaro perderam e Trump se finou, apesar das ameaças de vetar o que os democratas aprovarem. Com maioria nas duas casas, qualquer veto será facilmente empurrado para as costas Leste e Oeste do país.

Donald Trump continua presidente até janeiro de 2029. Entretanto, o resultado das urnas decretou o fim de seus dias imaginários de imperador autoproclamado. O mais relevante é que o reizinho de perfumaria voltará para o lar doce lar da Flórida e, de lá, só sairá para jogar golfe com quem sobrar de sua dilacerada tropa de elite. Além do recesso do lar, resta ao quase ex-líder republicano torcer para que não haja revanche dos democratas. Se houver, é caixão e vela preta.

Mesmo de longe, imagino o semblante derrotado dos fujões brasileiros de 2022, de 2024, 2025 e os da semana passada. Certamente viverão esses próximos dois anos com o WhatsApp na agulha e quase sem sinal de wifi. Coisas da política, cujo tempo é medido pelos poucos dias de alegria e pelos muitos anos de terror. A escolha é de cada um. Trump e seus aliados optaram pela anualidade. Como no Brasil e nos EUA, em qualquer lugar do mundo um dia a casa cai. A Casa Branca é de novo dos democratas.

………

Armando Cardoso é presidente do Conselho Editorial de Notibras 

Compartilhar
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *