Derrota de Donald Trump vai abalar os pilares da política externa americana

Redação
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Flávio Almeida Salles - Foto Reprodução/X

Não sei o que acontecerá nesse futuro próximo com a acachapante derrota de Donald Trump nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, mas posso imaginar que o novo polo de poder que surge a partir da decisão da maioria do povo americano, vai controlar o orçamento, determinar investigações de caráter ético e moral do mandatário, e até mesmo casos de corrupção entre os membros de sua família e auxiliares diretos. Haverá, ainda, a repaginação de suas relações com os países europeus, em especial no âmbito da OTAN e na condução guerra da Ucrânia. Isso sem falar no conflito do Irã (aquele que terminaria em duas semanas), e nas relações com a Rússia e com a China.

Mas, ainda no plano externo, tenho certeza de uma coisa: a falência do projeto de domínio sobre o continente americano gestado e o sonho de transformar a América no ”quintal” dos Estados Unidos (como acontecia no passado); tudo isso idealizado em conluio com seu secretário de Estado, Marco Rúbio. Hoje, seu governo enfraquecido passará a enfrentar um cenário diferente do ; e para os Estados Unidos, o continente americano não mais será o cartão de visitas que oferecia ao mundo com símbolo do poder.

Trump está “cercado” pelos três maiores países do continente: Canadá, México e Brasil. Países cujos governos, cada um à sua maneira, enfrentaram os desmandos quando o chefe da Casa Branca ainda era o Senhor do Destino do Mundo. Agora, canadenses, mexicanos e brasileiros sabem que não estão sozinhos, pois têm, a seu lado, a maioria do povo norte americano que se expressou de forma inequívoca nas eleições desse 3 de novembro.

E essa nova realidade geopolítica certamente terá repercussão nas relações com os vizinhos do centro e sul americanos. Com relação ao Brasil, são consideradas páginas viradas os tarifaços, as ameaças contra o Supremo Tribunal Federal e seus integrantes, os questionamentos às sentenças prolatadas pelo Poder Judiciário, o desejo (norte americano) de ter acesso exclusivo aos minerais raros e até mesmo o acesso total daqueles políticos brasileiros que, mesmo perdendo as eleições, ainda tinham “passe livre” no acesso aos gabinetes do Congresso americano, da Casa Branca e até mesmo à “cozinha” do Departamento de Estado dos EUA. Logo tudo deverá ser reescrito.

Pendente, ainda fica a questão do agrément ao próximo embaixador norte-americano no Brasil, um deputado estadual da Florida, amigo de Marco Rúbio, que foi indicado pela Casa Branca, aprovado pelo Congresso americano e em seguida nomeado por Trump como seu representante, sem mesmo perguntar se o governo brasileiro estava de acordo.

A aceitação foi “colocada na geladeira” pelo Brasil e agora pergunta-se o que acontecerá nesse capítulo, pois Lula ganhou as eleições, e Trump foi derrotado nas eleições norte-americanas.

Para terminar, volto ao passado recente e lembro que, ao comentar a vitória de Donald Trump há dois anos, eu escrevi que ele tinha “feito barba, cabelo e bigode”. Hoje reafirmo o pensamento, mas com uma nova roupagem: a derrota de Trump demonstrou que seus “cabelos estão caindo, o bigode não existe, e a barba está de molho”.

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