Donald Trump tentou destronar Lula, mas foi ele quem acabou sem trono

Redação
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Misael Igreja - Foto de Arquivo

Metido a vencedor, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é um contumaz perdedor. Depois de perder o carinho de Elon Musk, as meninas de Jeffrey Epstein, a amizade de Lula, o poder sobre a Groenlândia, o Canadá e parte do México, além da guerra do Irã, o moço que é radicalmente contra a paz e a democracia também perdeu a eleição no Brasil e a maioria na Câmara e no Senado do país que ele chamava de seu.

Ou seja, sem o apoio dos antigos bajuladores do Congresso norte-americanos, ele vai ter de rebolar para governar. Depois de se imaginar capaz de merecer o Prêmio Nobel da Paz, de brincar de dono do mundo e de se achar mais poderoso do que o próprio poder, Donald Trump precisa se preparar para viver os dois piores anos de sua indigna administração e insipiente vida.

Certo de que seu pupilo destrambelhado venceria as eleições brasileiros, Trump, como um rufião de lupanário de quinta categoria, tentou, em vão, emparedar o governo brasileiro. Na verdade, o objetivo principal era destronar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, a partir do Brasil, comandar toda a América do Sul, tendo como menino de recados o argentino Javier Milei. Assim como nas eleições de meio de mandato dos EUA, no Brasil o líder republicano perdeu feio e de virada.

Acuado, reprovado pela sociedade americana e sem maioria no Legislativo a partir de 2027, Trump terá de se preparar para experimentar do próprio veneno. Vencedores com larga vantagem, os democratas terão poder de barrar grande parte das propostas de lei do presidente, obrigando-o a recorrer a vetos e ordens executivas (medidas semelhantes a decretos) para tentar administrar sua empáfia, conter o avermelhado ego e tocar sua agenda.

Com a derrota acachapante, Donald Trump certamente tentará de tudo para se manter relevante. Os números, porém, o impedirão de qualquer bravata ou iniciativa nesse sentido. Embora não perca a mania de dar ordens na América de baixo, desde terça-feira (03) Trump é considerado pelo mundo globalizado como um rei sem súditos, um imperador sem trono. Aliás, a midterms foi determinante para que os americanos já comecem a pensar no próximo presidente.

Com decisões que envergonharam o povo dos EUA, Donald Trump enxovalhou a democracia estadunidense ao dormir e acordar vigiando a democracia alheia. Para quem brincou perigosamente de “dono do mundo”, o líder dos republicanos precisa se preparar para a decadência pessoal, política e, quem sabe, empresarial. É esse o fim dos megalomaníacos e loucos pelo poder absoluto. A história de derrota dos imperadores romanos se repete nos EUA, no Brasil, na Hungria e em Israel.

Velho, mas com inteligência de menino, Luiz Inácio percebeu rapidamente que Trump estava no fio da navalha. Provavelmente baseado na queda do “superpoderoso”, Lula se aproximou, política e comercialmente, daquele que, aproveitando o desembestado pêndulo norte-americano, deve se transformar em breve na superpotência que dominará o mundo pelos próximos cem ou duzentos anos. Diante desse novo e dantesco quadro, resta a Trump fazer o caminho inverso de seu pupilo brasileiro e fugir para o Brasil. Xô!

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Misael Igreja é analista de Notibras para assuntos políticos, econômicos e sociais

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