Bolsonarismo precisa aceitar que perdeu como Mané e talvez tentar outra vez

Redação
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Heliodoro Quaresma - Foto de Arquivo

A eleição acabou, Luiz Inácio ganhou, o clã Bolsonaro se dissolveu, Donald Trump está próximo do pó, mas os bajuladores continuam os mesmos. Ainda que saibam que não há retorno, permanecem carregando o alforje do interesse. Sem ser indelicado, mas tentando ser realista, sugiro aos bolsonaristas mais radicais, aqueles que não engolem a democracia, que, mais do que bajular quem não volta mais, é hora de repensar o discurso sobre o governo de Lula da Silva. Pode dizer tudo de ruim a respeito do líder do petismo, menos que ele comanda um regime tirano e perseguidor. Aos que insistem em culpar Lula pelas mazelas dos bolsonarismo, não custa registrar que viver é preciso, bajular não é preciso.

Quem viveu as eleições de 2018, 2022 e 2026 lembra perfeitamente que não era Lula o candidato vocacionado para o despotismo, para a retirada de direitos constitucionais, tampouco para grosserias, preconceitos ou imperialismo. Quem viveu essa fase, tem de saber que não foi Lula quem ameaçou a nação com golpismos infantis e desmiolados. Também não foi o presidente reeleito para seu quarto mandato que nesses três últimos pleitos assustou boa parte dos brasileiros com discursos divisionistas, entreguistas e carregados de rebotalhos do período ditatorial, isto é, antidemocráticos.

Ainda mais relevante é informar aos que fingem desconhecer a verdade que Lula nada tem a ver com a fuga de Flávio Bolsonaro, de seu irmão Eduardo Bolsonaro e afins para os Estados Unidos. Em sã consciência, agindo com um mínimo de honestidade e sem raciocinar com a ignorância do fígado, nenhum brasileiro pode dizer que os fujões deixaram o país por causa de um sistema de ameaçava suas vidas. Que ameaça? Quem ameaçava? Eles fugiram porque devem (e muito) à Justiça e tinham medo de ser presos.

E realmente seriam, mas nunca a pedido de Lula, mas sim de um dos togados do Supremo Tribunal Federal, inclusive do ministro Alexandre de Moraes que, igualmente devedor da Justiça, ficou para enfrentar seus pares mais raivosos e, principalmente, os senadores e senadoras que, mascarados de bonzinhos e de justiceiros da pátria, certamente farão de tudo para destituí-lo do cargo. Como a maioria dos eleitos e dos que se mantiveram na função tem “rabo preso”, duvido que o ranço contra Moraes se transforme em impeachment.

É uma ideia natimorta nesta e na próxima legislatura, a ser iniciada em fevereiro de 2027. Qual das 81 excelências do Senado terá coragem de levar adiante esse tipo de enfrentamento com os integrantes da Corte Suprema, hoje composto majoritariamente por progressistas. Mesmo que se mantenha com quórum incompleto, em um universo de dez ministros, apenas dois são conservadores. Considerando a remotíssima hipótese de jubilamento de Alexandre de Moraes, indicado ao STF pelo ex-presidente golpista Michel Temer, caberia a Lula indicar seu substituto.

Nesse caso, o presidente reeleito poderá indicar, além dos quatro já previstos, mais um ministro para o Tribunal. Por essas e outras razões ainda mais robustas e capazes de desabastecer o ódio dos bolsonaristas contra Lula, os bajuladores do clã Bolsonaro deveriam recolher os flaps e, de uma vez por todas, entender que a única tirania do governo Lula é não aceitar a tirania de um novo governo Bolsonaro. Que triste deve ser a vida do bajulador. Quem bajula reconhece que nada do que faz ou diz tem valor. Por isso, se torna especialista na arte de bajular.

Eles não conseguem sequer perceber o distanciamento da ideologia bolsonarista dos ideólogos de direita e de esquerda. Qual é a base da seita criada por Jair Bolsonaro e seguida por uma tropa de fanáticos sem causa, algo do tipo ingênuos? Tirar Lula do poder. Nada além disso. Qualquer um que surja no cenário político com essa proposta será bem recebido pelos bajuladores. O que eles não sabem é que até mesmo os aliados mais moderados de Jair ou de Flávio Bolsonaro estão cansados dos exageros dos lambe-botas. Aceitem o resultado das eleições, arquivem as lamúrias em favor do clã, mas jamais esqueçam que o bajulador é como carvão: apagado, ele suja; aceso, ele queima.

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