Derivação do termo em inglês “to bet”, que significa apostar, as bets são plataformas virtuais de apostas em quota fixa e jogos de azar online, por meio dos quais o usuário dá um palpite em eventos reais como partidas de futebol, basquete ou e-sports. As bets incluem jogos virtuais como caça-níqueis, roleta e blackjack, cujos resultados são gerados por algoritmos. Tenham o nome que tiverem, elas foram criadas para viciar os incautos e fazê-los perder dinheiro.
Conforme seguidas campanhas do governo Lula, ao contrário do que pregam os “donos” de bets, aposta não é investimento, tampouco lucro certo. É enganação, pois, como no jogo do bicho, só os bicheiros enriquecem. As bets esportivas e os tigrinhos são jogos perversos, contra as famílias brasileiras e, por isso, precisam ser derrotados. O que disserem a mais é balela, conversa para boi dormir.
À custa do endividamento das pessoas, normalmente as mais pobres, as bets movimentaram bilhões de reais e passaram a investir em grandes clubes de futebol. Pouco importa se hoje o dinheiro decorrente da perversidade dos algoritmos das bets também gerou dependência nas agremiações esportivas, notadamente as de futebol. Antes de se posicionar a favor da jogatina virtual, os dirigentes dos times brasileiros deveriam estar preocupados com o povo que sua para comer, beber, se vestir e pagar caríssimos ingressos nos campeonatos nacionais.
Após intensos debates relativos ao aumento do endividamento das famílias, riscos de vícios (ludipatia) e investigações sobre lavagem de dinheiro, o governo federal editou em setembro a Medida Provisória 1.394/2026, por meio da qual proibiu as casas de apostas e os cassinos online no Brasil. O resultado prático foi a retirada do ar de sites, aplicativos e links de apostas, incluindo bloqueio de milhares de endereços clandestinos pela Anatel.
Apesar das ações do governo contra os jogos de azar, ainda há uma rede de bets ilegais gerando milhões de reais. Como tudo no Brasil, os que prejudicam o povo e o país se sentiram prejudicados e recorreram ao Supremo Tribunal Federal. São várias ações contestando a legislação que autorizou o funcionamento das apostas online e outras tantas questionam a constitucionalidade das bets. Como elas têm relatores distintos, por determinação do presidente da Corte, ministro Edson Fachin, todas deverão ser julgadas em conjunto, isto é, na mesma sessão.
Enquanto os ministros pensam e os dirigentes dos clubes de futebol esperneiam contra a medida provisória, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito para seu quarto e último mandato, aposta no fim de todo tipo de aposta ilegal, principalmente as bets. Lula tem a seu favor um posicionamento informal do ministro Luiz Fux, relator, cuja percepção é a de que as bets devem ser banidas do Brasil. Que o futebol volte a pôr os pés no chão.
Com o apoio da quase totalidade dos brasileiros, o que o atual governo impediu com a MP foi uma endemia. A tempo, o vício em apostas foi reconhecido como um problema de saúde pública, associado a quadros graves de ansiedade, depressão, perda de controle financeiro e até de planejamento suicida entre apostadores de diversas idades. Portanto, entre o meu querido, majestoso e campeoníssimo Flamengo e o cidadão brasileiro, voto com o relator, ou seja, fecho com o bolso do povo.
…………
Armando Cardoso é presidente do Conselho Editorial de Notibras

