Estátuas de Alabastro

Eduardo Martínez
1 minutos de leitura
Luzia Couto - Foto Francisco Filipino

Somos estátuas de alabastro

Esculpidas pelo silêncio das distâncias

Moldadas no tear da saudade

Que entrelaça fios de luz nos versos

Palavra bordada em ouro fino

Lavrada na pele que ainda lembra o teu toque.

Somos pedra preciosa

Solidificada no inverno da ausência

Na memória do beijo úmido

Quente e profundo

Como a polpa vermelha da romã

Que se parte e revela o segredo doce

Do desejo que nunca se esgotou.

E as palavras continuam

Alçando voos de pássaros de fogo

Em notas que se elevam como orações

Compondo músicas de seda e brasa

Para acalmar a ferida que ainda lateja…

Porque já fomos feitos de carne e tremor

Mas hoje somos mármore polido pelo tempo

Cujos corações batem atrás de paredes transparentes

E cujas artérias guardam o sangue

Como vinho antigo selado em ânforas.

Porém o vento conhece nossos nomes

O tempo guardou nosso instante como relíquia

E toda história contada

Toda poesia declamada

Será em teu nome

Em meu nome

Na memória que ainda arde

Como vela acesa no altar do que fomos.

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