Somos estátuas de alabastro
Esculpidas pelo silêncio das distâncias
Moldadas no tear da saudade
Que entrelaça fios de luz nos versos
Palavra bordada em ouro fino
Lavrada na pele que ainda lembra o teu toque.
Somos pedra preciosa
Solidificada no inverno da ausência
Na memória do beijo úmido
Quente e profundo
Como a polpa vermelha da romã
Que se parte e revela o segredo doce
Do desejo que nunca se esgotou.
E as palavras continuam
Alçando voos de pássaros de fogo
Em notas que se elevam como orações
Compondo músicas de seda e brasa
Para acalmar a ferida que ainda lateja…
Porque já fomos feitos de carne e tremor
Mas hoje somos mármore polido pelo tempo
Cujos corações batem atrás de paredes transparentes
E cujas artérias guardam o sangue
Como vinho antigo selado em ânforas.
Porém o vento conhece nossos nomes
O tempo guardou nosso instante como relíquia
E toda história contada
Toda poesia declamada
Será em teu nome
Em meu nome
Na memória que ainda arde
Como vela acesa no altar do que fomos.

