Anseio ouvir teus passos de cetim,
deslizando pelas noites banhadas de luar,
enquanto minha sombra espera, paciente,
por uma manhã em que o sol descansa sobre minha pele.
Quero apenas um olhar teu, breve e inteiro,
para aquietar a ansiedade que mora no peito,
essa sede de um sorriso que nunca chega,
pois teu silêncio reteve minha paixão como maré.
Vejo o relógio diluir as horas; a espera se estira,
e a inquietude aperta como corda afinada;
não quero que teus olhos, esse farol antigo
se cansem de me perscrutar por tanto tempo.
Desejo teus carinhos como brisa que alisa o rosto,
transportando-me a paraísos de sonho e seiva,
onde as árvores sorriem em acordes lentos
e a natureza entoa uma canção de raízes.
Espero tua vinda para que sintas o calor dos meus braços,
a ternura luminosa que meus olhos guardam,
para que eu possa ler a alma que partiu numa manhã
quando as nuvens cessaram o pranto lento.

