O Labirinto do Não

Eduardo Martínez
1 minutos de leitura
Rafaela Fernanda Lopes - Texto e Foto

Ouve-se baixinho, um grito abafado,
De uma alma ferida, por seu direito violado,
Vozes se erguem, mas não em sua defesa,
Com dedos apontados, a culpa lhe pesa;

“Por que a roupa curta?”, eles ousam perguntar,
Como se o tecido pudesse justificar,
“Isso era lugar? olha a hora!”, ousam supor,
Julgando a vítima e endossando o agressor;

Diversas teorias e julgamentos sem fim,
“Demorou a falar”, indagam sobre o seu sim,
Analisam o corpo, medem a idade,
Como se a dor fosse de sua responsabilidade;

“Ela bebeu!”, “Por que saiu nessa idade?”,
“Fizeram o toxicológico?”, críticas coniventes,
“Subiu no camarote”, sabia da periculosidade;
Mas desde quando isso é pretexto para o ato ultrajante?

Dizem que consentiu, um veneno amargo feito o fel,
Se era o marido, “não pode ser violência”,
Ignoram o medo, a dor e a resistência,
O que importa se isso for cruel?

Beijos trocados, não são um convite ao horror,
Casou-se com quem a feriu, por que continuou?
São teses aceitas sem razão,
Que só perpetuam o ciclo de dor e opressão;
Não existe desculpa, nem motivação,
Nada pode apagar o fato: estupro é violação.

Compartilhar
2 Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *