Oblívio

Eduardo Martínez
1 minutos de leitura
Luzia Couto - Foto Francisco Filipino

Navego por rios de prata e mares de tinta azul.

Respiro o perfume salgado das marés que ainda guardam o teu nome

Relembro o nascer das águas

Sua fluidez de seda líquida, sua frescura de beijo matinal

A temperatura exata do verso

Quando ainda queimava entre a língua e o desejo.

Relembro a pele a tua pele nua

O mapa secreto do teu corpo desnudo

Onde cada curva era um poema

E cada poro um convite ao delírio.

Relembro o nascer da poesia nos teus lábios

Com a saliva doce como mel de acácia

Com a firmeza das tuas mãos

Que me moldavam como barro quente

Com o suor que escorria

Como orvalho de uma noite sem fim.

Relembro o poema inteiro

As palavras que foram escritas

E as que ficaram tremendo na garganta

Relembro o silêncio das palavras

Aquele espaço sagrado entre um beijo e o próximo.

Relembro tudo e esqueço tudo

Eu, poeta que ama

Que não consegue apagar o ser amado

Eu, poeta do excesso e do vazio

Relembro e esqueço sem jamais esquecer

Sem te deixar escapar

Nem mesmo no mais profundo dos esquecimentos…

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