Navego por rios de prata e mares de tinta azul.
Respiro o perfume salgado das marés que ainda guardam o teu nome
Relembro o nascer das águas
Sua fluidez de seda líquida, sua frescura de beijo matinal
A temperatura exata do verso
Quando ainda queimava entre a língua e o desejo.
Relembro a pele a tua pele nua
O mapa secreto do teu corpo desnudo
Onde cada curva era um poema
E cada poro um convite ao delírio.
Relembro o nascer da poesia nos teus lábios
Com a saliva doce como mel de acácia
Com a firmeza das tuas mãos
Que me moldavam como barro quente
Com o suor que escorria
Como orvalho de uma noite sem fim.
Relembro o poema inteiro
As palavras que foram escritas
E as que ficaram tremendo na garganta
Relembro o silêncio das palavras
Aquele espaço sagrado entre um beijo e o próximo.
Relembro tudo e esqueço tudo
Eu, poeta que ama
Que não consegue apagar o ser amado
Eu, poeta do excesso e do vazio
Relembro e esqueço sem jamais esquecer
Sem te deixar escapar
Nem mesmo no mais profundo dos esquecimentos…

