Carioca torce para que Douglas não troque as ruas por uma cela em Bangu

Redação
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Sonja Tavares - Foto Tânia Rêgo

No Rio de Janeiro 40 graus, aquele que já foi Cidade Maravilhosa e hoje não passa do purgatório da beleza e do caos, do melhor e do pior do Brasil, sobra resiliência e sobrevive um povo que cada vez mais se afunda em sua própria inconsciência eleitoral. No mais, tudo é passado. Ninguém disfarça mais a respeito da situação de penúria política do Rio, onde os maus políticos têm por admiradores todos os tolos, cujo número é infinito no Estado e na Capital.

Como o vício é lamentavelmente contagioso, o que pesarosamente posso dizer é que estou incluído fora disso. Saudade do tempo em que os evangélicos, também conhecidos por crentes, batiam de porta em porta para tentar obrigar o povo carioca a aceitar e a se entregar a Jesus. Hoje, além dos cariocas, os fluminenses são diariamente convocados a aceitar a palavra salvadora do conservadorismo e os salmos dos representantes mais radicais do extremismo.

Atualmente, os dois modismos mais disputados do Estado são ler a Bíblia até a página 2, virar evangélico e eleger pastores para a Câmara, para o Senado Federal e, quando dá, para o Palácio Guanabara, sede do governo local. Nas comunidades, nos bailes funk, nos botecos de periferia, nos inferninhos nunca visitados por Daniel Vorcaro e nas feiras livres de bairro, a ordem é votar e pedir votos para quem vai salvá-los (?) do Diabo fantasiado de vermelho. Obviamente que nem todos atendem ao pedido das lideranças “pacificadoras”.

Sem conhecimento de causa, os que aceitam o comando podem ganhar desde uma viagem de trem lotado de Bangu à Central do Brasil ou uma fornada gratuita de churrasquinho de pé de galinha. Afinal, o que é um pum para quem está todo obrado. É desse modo que o Rio de Janeiro é visto por quem está fora da cidade e por cariocas desapontados. E daí? Apesar da expansão da milícia e da polícia bandida, o carioca tem o Fla Flu, o Maracanã, o Vascão vingador, o político mascarado, o jogo do bicho e a eterna “brincadeira” do puliça contra o ladrão. Não necessariamente nessa ordem, é claro.

Aliás, o carioca gosta tanto de apostas que, agora sem o tigrinho, o pessoal do subúrbio, cuja maioria adora votar em candidatos recomendados pela elite da Zona Sul ou da Barra da Tijuca e adjacências, já começa a fazer bolão sobre o mandato do governador eleito para comandar o Estado do Rio de Janeiro de janeiro de 2027 a janeiro de 2030. Dono de uma estatística pra lá de negativa, em dez anos o Estado teve sete governadores e ex-governadores presos ou afastados.

Ligados à direita, Wilson Witzel (2019/2021) e Cláudio Castro (2021/2026) foram os últimos. Também da direita, bem ou mal, Douglas Ruas venceu Eduardo Paes ainda no primeiro turno, após a anulação dos votos de Anthony Garotinho. Não torço por isso, mas, caso ele seja o próximo, os cariocas terão a oportunidade de pedir no Fantástico a famosa música Reunião de Bacana. Fica a dica. O povo carioca está rezando para que Deus não deixe o Douglas nas Ruas. Enfim, para que ele não teje preso.

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Sonja Tavares é Editora de Política de Notibras

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