Na reta final da disputa pelo Palácio do Buriti, a guerra eleitoral ganhou um novo capítulo, com direito a troca de acusações, panfletos controversos e denúncia à Justiça Eleitoral. A campanha de Celina Leão (PP) acionou o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) após a distribuição de material em ato favorável a Leandro Grass (PT), no qual aparecia o número 22 associado à candidata, cujo número correto é 11.
Para Celina, revela o repórter Josiel Ferreira, do site TudoOK, a iniciativa ultrapassa os limites da disputa política e pode confundir o eleitor. Durante agenda na terça-feira (20), a governadora criticou duramente o adversário.
“O próprio candidato, Leandro, divulgando, entregando o material, falando que Flávio e Celina é 22. Isso é muito feio, é uma baixaria, a população do Distrito Federal não merece isso”, declarou.
O PT-DF reagiu, negando irregularidades. Em nota, afirmou que o material respeita a legislação eleitoral e apenas apresenta diferenças entre os projetos políticos em disputa. A legenda também repudiou o que classificou como desinformação contra sua campanha.
A explicação, porém, não encerra a controvérsia. Caberá ao TRE-DF examinar a denúncia e decidir se houve tentativa de induzir o eleitor ao erro ou se o episódio não configura infração eleitoral.
A polêmica ocorre em meio à intensificação dos ataques políticos contra Celina. Desde o primeiro turno, integrantes do chamado “bonde do Arruda” têm feito críticas à governadora, algumas delas apontadas por seus adversários como informações falsas ou acusações sem provas.
Enquanto isso, Celina procura destacar as realizações dos cinco meses à frente do Palácio do Buriti. Sua campanha sustenta que a vantagem apontada por pesquisas eleitorais tem aumentado o desconforto dos adversários e estimulado o confronto político.
Na reta final, a eleição parece caminhar entre propostas, acusações e uma guerra de versões. Mas há uma regra que não admite interpretação criativa: o eleitor precisa saber exatamente em quem está votando.
Afinal, urna eletrônica não é jogo de adivinhação, número de candidato não é figurinha para trocar e a democracia não pode transformar a cabeça do eleitor em um labirinto. Se houve irregularidade, que a Justiça Eleitoral puna. Se não houve, que esclareça. Porque voto se conquista com argumentos, não com confusão.

