No Brasil de 2026, pior do que a Geni, aquela em que todos jogam pedra, só o Supremo Tribunal Federal de Alexandre de Moraes, aquele a quem creditam todas as mazelas da Corte. Mas, longe de ser considerada uma expressão de apoio, conforto ou de acolhimento para momentos difíceis, a frase você não está sozinho deve soar como um mantra para os ouvidos afiados e antenados do ex-xerife Xandão, provável futura vítima do Congresso Nacional a ser empossado em fevereiro de 2027.
Ex porque, depois de seu notório e destrambelhado envolvimento com o “banqueiro” Daniel Vorcaro, os deputados e senadores que se elegeram no dia 4 de outubro rasgaram sua farda, lhe cassaram a estrela e, de quebra mostraram ao Brasil e ao mundo que suas sandálias da humildade estavam recheadas de milhões de reais. A bem da verdade, o dinheiro que a família recebeu, notadamente a madame Moraes, não é sujo. Entretanto, vindo de onde veio, também não é limpo. É meio barro, meio tijolo.
Como aos ministros dos tribunais superiores, particularmente do STF, a dúvida é incabível, ou seja, mais do que serem honestos, eles precisam parecer honestos, Xandão caiu em desgraça, se transformou em vilão para todos e mais um dos candidatos e eleitores conservadores e, de forma indireta, acabou como o grande cabo eleitoral da candidatura que só navega se o mar estiver para peixes do tipo lambari ou manjubinha.
Apenas para que os pingos sejam devidamente colocados nos respectivos is, Alexandre de Moraes nada tem a ver com o candidato progressista, aquele que os conservadores teimam em demonizar. Como poucos lembram, Xandão chegou à Corte Suprema pelas mãos do antidemocrata Michel Temer, o vice-presidente que saiu do limbo pelas mãos da ex-companheira Dilma Rousseff, a mesma que ele apunhalou com apoio explícito do então deputado Eduardo Cunha (RJ) e de parte da turma que hoje tenta voltar ao Planalto.
O fato é que Xandão chegou, venceu e, antes de ser mordido pela mosca azul do dinheiro fácil, incomodou os deuses da planície chamada conservadorismo. O tempo passou, ele caiu em desgraça e hoje sofre na carne os efeitos determinados pelas leis divina e dos homens àqueles que burlam a liturgia do cargo e ferem as regras de comportamento, compostura, sobriedade e formalidade de quem ocupa uma função pública ou posição de alta responsabilidade.
Mas, como disse na abertura desta narrativa, Xandão não está só. Aliás, nunca esteve. Na pior composição que o Supremo Tribunal Federal já teve, há tantos tão ruins ou muito piores do que ele. Atolados em festinhas nada republicanas promovidas por Vorcaro ou guardados em malas camufladas do ex-banqueiro, os outros topam qualquer parada para evitar a vitória do candidato que sempre se opôs e, caso se reeleja, permanecerá na oposição aos que querem acabar com as leis no Brasil.
Nada contra que os ministros do STF vivam como lhes convier. Também não posso ser contra a que joguem pedra no Xandão. Ele fez por merecer. Entretanto, não esqueçam os que de bonzinhos não têm mais sequer o certificado de Primeira Comunhão. Imaginem o de coroinha da igreja onde fizeram a catequese, estudaram o catecismo e juraram amor eterno à Nossa Senhora Aparecida. Abraçados à doutrina do meu pirão primeiro e alguns ao gang-bang, hoje a maioria dos que se acham acima do bem e do mal prefere se fingir de morto para lascar o coveiro.
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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

