Acompanhar as pesquisas para o governo do Ceará está quase virando um hobby. Há poucas semanas, Ciro Gomes parecia ocupar uma posição bem mais confortável: na Quaest divulgada em 4 de setembro, aparecia com 45% das intenções de voto, contra 34% de Elmano de Freitas. Desde então, porém, alguns levantamentos mostraram uma aproximação rápida e até uma inversão numérica dessa ordem.
Na Real Time Big Data divulgada em 18 de setembro, Elmano apareceu com 47% e Ciro com 42% no primeiro turno; numa eventual disputa de segundo turno, eram 48% a 45%, situação de empate técnico considerando a margem de erro de dois pontos. Já a AtlasIntel divulgada nesta segunda-feira, 21 de setembro, trouxe Elmano com 48,5% e Ciro com 48% — praticamente lado a lado e também em empate técnico.
Ao mesmo tempo, o Datafolha divulgado no dia 18 mostrou um cenário diferente: Ciro com 47% e Elmano com 40%. Ou seja, existe uma disputa apertada, mas os institutos ainda apresentam retratos diferentes do eleitorado cearense.
Talvez justamente por isso o Ceará tenha se tornado uma das eleições estaduais mais interessantes de acompanhar. Ciro é um político muito conhecido no estado, ex-governador e integrante de uma família com longa presença na política cearense. Entre as explicações debatidas para a mudança observada em parte das pesquisas está sua aproximação política com forças ligadas ao bolsonarismo, num estado onde a esquerda e a centro-esquerda têm forte presença eleitoral.
Mas pesquisa não permite afirmar, sozinha, que essa seja a causa da movimentação. O que os números mostram com mais segurança é que aquela vantagem confortável que aparecia para Ciro no começo de setembro deixou de ser uma fotografia comum a todos os levantamentos e a disputa ficou bem mais aberta.

