Flávio se proclama em Miami presidente eleito

Redação
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Pimenta Filho- Foto Reprodução/X

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) abriu nesta quarta-feira, 28, um novo capítulo da crise política brasileira ao se declarar, em carta divulgada por aliados em Miami, nos Estados Unidos, o verdadeiro presidente eleito da República. Derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno de domingo, 25, Flávio rejeitou o resultado oficial das urnas, denunciou uma suposta fraude eleitoral e anunciou que pretende liderar a oposição brasileira a partir do território norte-americano.

O documento, encaminhado à imprensa pelo aliado Paulo Figueiredo, traz no cabeçalho uma versão do brasão da República com a inscrição histórica “Estados Unidos do Brazil”, grafada com z. Logo na abertura, Flávio afirma dirigir-se ao povo brasileiro e à comunidade internacional na condição de presidente eleito, embora a Justiça Eleitoral tenha reconhecido a vitória de Lula.

Na carta, o senador questiona a decisão judicial que prorrogou o horário de votação no segundo turno e acusa autoridades do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral de interferirem no processo eleitoral. Sustenta ainda que houve abuso de poder político e econômico durante a campanha. As acusações, entretanto, não vieram acompanhadas de provas que demonstrassem fraude na apuração dos votos.

Flávio também justificou sua saída do Brasil, ocorrida depois de uma determinação do ministro Alexandre de Moraes para que entregasse seus passaportes à Polícia Federal. O senador atravessou a fronteira com a Argentina e seguiu em avião particular para os Estados Unidos, com escala no Equador. Chegou a Miami nesta quarta-feira acompanhado da mulher e das duas filhas.

O parlamentar rejeitou a interpretação de que tenha fugido do país. Segundo sua versão, a viagem foi motivada pela necessidade de proteger a família diante do que considera perseguição judicial. No documento, agradeceu ao presidente argentino Javier Milei e ao presidente norte-americano Donald Trump pela acolhida, embora a manifestação não represente reconhecimento oficial de sua reivindicação à Presidência brasileira.

Ao anunciar seus próximos passos, Flávio afirmou que pretende manter contato regular com os brasileiros e organizar uma estratégia de mobilização política por meios que classificou como pacíficos e legítimos. Também dirigiu uma mensagem a parlamentares e governadores aliados, mencionando especialmente o senador Rogério Marinho, seu candidato à presidência do Senado.

A iniciativa acrescenta uma dimensão internacional à contestação do resultado eleitoral. Ao reivindicar a Presidência a partir dos Estados Unidos, Flávio procura manter sua liderança política e ampliar a repercussão de suas denúncias, enquanto Lula se prepara para iniciar o quarto mandato presidencial, conquistado nas urnas.

A autoproclamação, contudo, não produz efeitos jurídicos sobre o resultado da eleição. O reconhecimento institucional da vitória cabe à Justiça Eleitoral, e eventuais questionamentos precisam ser examinados pelos mecanismos previstos na legislação brasileira.

A crise, portanto, ultrapassa a disputa eleitoral encerrada no domingo. Com o candidato derrotado instalado em Miami e anunciando uma oposição organizada no exterior, o Brasil passa a acompanhar uma controvérsia que envolve o resultado das urnas, as decisões do Judiciário e a atuação internacional de lideranças políticas brasileiras.

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