Flávio tem 4% a mais dos votos válidos contra Lula no 2º turno, diz Datafolha

Redação
Redação
7 minutos de leitura
Marta Nobre - Foto de Arquivo

A primeira pesquisa Datafolha realizada após o primeiro turno das eleições presidenciais confirmou, nesta quinta-feira, 8, a vantagem numérica do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Considerando apenas os votos válidos, o candidato do PL aparece com 52% das intenções de voto, contra 48% do petista. A diferença de quatro pontos percentuais coloca os adversários em situação de empate técnico no limite da margem de erro, de dois pontos para mais ou para menos.

O levantamento, encomendado pela TV Globo e pelo jornal Folha de S.Paulo, é o primeiro retrato da disputa desde que os brasileiros foram às urnas, no domingo, 4, e definiram os dois concorrentes que voltarão a se enfrentar em 25 de outubro.

Quando considerados todos os entrevistados, Flávio registra 49% das intenções de voto, enquanto Lula aparece com 45%. Outros 5% afirmam que pretendem votar em branco ou anular o voto, e 1% ainda não escolheu um candidato.

O Datafolha ouviu 2.520 eleitores em todo o país, entre os dias 6 e 7 de outubro. O levantamento tem nível de confiança de 95% e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-02949/2026.

O resultado divulgado nesta quinta-feira mantém a ordem de classificação estabelecida nas urnas do primeiro turno. Flávio Bolsonaro terminou a votação de domingo com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 45,16%.

A diferença foi de aproximadamente 2,2 milhões de votos, num universo de mais de 100 milhões de brasileiros que escolheram um dos candidatos.

A comparação com a última pesquisa anterior ao primeiro turno também chama atenção. Naquele levantamento, Lula aparecia com 47% das intenções de voto em uma simulação de segundo turno, contra 46% de Flávio. Agora, o senador registra 52% dos votos válidos, enquanto o presidente soma 48%.

Embora os números indiquem uma mudança no retrato da disputa, as pesquisas não representam previsão do resultado eleitoral. Até 25 de outubro, os candidatos ainda terão debates, propaganda eleitoral e atividades de campanha para apresentar propostas e buscar votos.

Uma das informações mais relevantes da nova pesquisa está no comportamento dos eleitores que escolheram outros candidatos no primeiro turno.

Entre os que votaram em Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema, 46% afirmam que agora pretendem apoiar Flávio Bolsonaro, enquanto 32% declaram preferência por Lula. Outros 15% dizem que votarão em branco ou anularão o voto.

O levantamento mostra que a transferência de votos não ocorre de maneira automática, mesmo entre candidaturas situadas em campos políticos próximos.

A movimentação partidária também ganhou intensidade depois das eleições. Flávio recebeu manifestações de apoio de lideranças e partidos que participaram da disputa presidencial, enquanto Lula procura ampliar alianças e recuperar eleitores que não compareceram às urnas.

Os recortes da pesquisa revelam diferenças importantes no comportamento do eleitorado.

Lula mantém vantagem no Nordeste, onde aparece com 61% das intenções de voto, contra 35% de Flávio Bolsonaro. O presidente também lidera entre os católicos, com 53% a 41%, e entre os eleitores com renda de até dois salários mínimos, com 52% a 41%.

Flávio, por sua vez, registra 69% entre os evangélicos, diante de 25% de Lula. Na região Sul, o senador alcança 58%, contra 35% do presidente.

Os números indicam que a disputa permanece marcada por diferenças regionais, religiosas e socioeconômicas, fatores que deverão orientar as estratégias das campanhas nas próximas semanas.

Outro dado relevante é a rejeição aos presidenciáveis.

Segundo o Datafolha, 46% dos entrevistados afirmam que não votariam em Lula de maneira alguma. No caso de Flávio Bolsonaro, o percentual é de 43%.

A diferença de três pontos percentuais mostra índices elevados de resistência aos dois candidatos, característica que acompanhou a polarização eleitoral desde o primeiro turno.

Apesar disso, 94% dos entrevistados dizem estar totalmente decididos sobre o voto. Apenas 6% admitem a possibilidade de mudar de candidato até o dia 25.

A pesquisa também investigou as razões da escolha eleitoral. Para 76% dos entrevistados, o voto representa a preferência pelo candidato considerado a melhor opção. Outros 19% afirmam que pretendem votar principalmente para derrotar o adversário.

O Datafolha divulgou ainda números sobre a avaliação da administração federal.

O governo Lula é considerado ruim ou péssimo por 40% dos entrevistados, enquanto 35% o classificam como ótimo ou bom. Outros 24% avaliam a gestão como regular.

Na avaliação pessoal do presidente, 49% dizem desaprovar Lula, enquanto 48% afirmam aprová-lo.

Os índices ajudam a compreender um dos desafios da campanha petista: ampliar o apoio ao presidente num cenário em que a avaliação de seu governo está dividida.

Entre os temas que devem ocupar o debate nas próximas semanas estão a economia, a segurança pública, a reforma tributária, as relações entre os Poderes e a proposta de alteração da jornada de trabalho na escala 6×1.

Além da disputa pelos votos dos candidatos eliminados, as campanhas terão de enfrentar o problema do comparecimento eleitoral.

No primeiro turno, a abstenção chegou a 21,08%, equivalente a aproximadamente 33,4 milhões de eleitores.

A dimensão desse contingente chama atenção porque supera amplamente a diferença de votos registrada entre os dois presidenciáveis.

Para Lula, mobilizar eleitores que deixaram de votar é uma das prioridades anunciadas depois do resultado de domingo. Flávio Bolsonaro, por sua vez, procura consolidar os apoios recebidos após o primeiro turno e ampliar sua votação em diferentes segmentos do eleitorado.

A propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão começa nesta sexta-feira, 9, abrindo uma nova etapa da campanha.

Faltando pouco mais de duas semanas para a votação definitiva, o Datafolha apresenta um cenário de vantagem numérica de Flávio Bolsonaro, mas ainda dentro do limite do empate técnico. O resultado de 25 de outubro dependerá tanto da capacidade dos candidatos de conquistar novos votos quanto do comparecimento dos eleitores às urnas.

…………….

Marta Nobre é Editora Executiva de Notibras

Compartilhar
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *