Nesta quarta-feira, 21, as escolas públicas do Distrito Federal amanheceram sem aula. O Sinpro convocou uma paralisação de um dia, com ato na Praça do Buriti. Na sexta, as escolas voltam a fechar, desta vez para receber as urnas do segundo turno.
As pautas dos professores merecem ser ouvidas: salas superlotadas, intervenções pedagógicas impostas sem conversa e falta de diálogo com a Secretaria de Educação. A própria governadora reconheceu que o ato é legítimo. Ninguém discute o direito de reivindicar. A questão é outra: por que agora?
A conta da eleição
No primeiro turno, Celina Leão teve 49,93% dos votos válidos e ficou a 168 votos de se reeleger sem segundo turno. Leandro Grass, do PT, teve 34,47%. Foi mais do que as pesquisas previam, mas ainda 15 pontos atrás da governadora. Para virar o jogo em poucos dias, Grass precisa de mais do que propostas. Precisa de um fato que desgaste quem governa.
A paralisação chegou a quatro dias da eleição, e Grass foi às escolas defendê-la: “O governo tem que respeitar quem tá no dia a dia da escola.” Celina respondeu pedindo que os professores não politizassem o momento.
O método antigo
Mobilizar sindicatos para pressionar governos é uma ferramenta tradicional da esquerda brasileira. Foi assim que o PT nasceu, nas greves do ABC paulista. O partido ainda tem força: no primeiro turno, Lula venceu em São Bernardo do Campo, sua terra política, mesmo perdendo o estado de São Paulo.
Mas o sindicalismo de 2026 não tem mais o crédito de 1980. O brasileiro descobriu, no escândalo do INSS, para onde ia parte do dinheiro descontado em nome dos trabalhadores. A Contag, filiada à CUT, recebeu R$ 3,6 bilhões em descontos de aposentados em dez anos, valores que a CGU colocou sob auditoria. O Sindnapi, sindicato de aposentados cujo vice-presidente é Frei Chico, irmão do presidente Lula, teve R$ 389 milhões bloqueados por ordem do STF.
Frei Chico não é investigado. Ainda assim, a CPMI decidiu, por 19 votos a 11, nem sequer ouvi-lo. As entidades negam irregularidades, e ninguém foi condenado. Mas o aposentado que teve o benefício descontado sem autorização já sabe que nem tudo que se faz em nome do trabalhador é feito para o trabalhador.
É por isso que o eleitor desconfia quando uma paralisação coincide com o calendário eleitoral. E sabe que, quando a escola fecha, quem paga não é quem convoca.
Quem paga a conta
Quem acordou sem saber onde deixar o filho foi o pai que pega ônibus às cinco da manhã. Quem ficou sem o almoço da escola, ainda que por um dia, foi a criança que mais depende dele.
As aulas serão repostas, garante a Secretaria. O dia de trabalho perdido por quem não tinha com quem deixar a criança não será.
Professores merecem ser ouvidos. Famílias merecem ser respeitadas. E a escola pública, que já perde tanto, não deveria ser usada como cenário de campanha, por nenhum dos lados.

