Igape lustra a chave e deixa Celina Leão com um pé no Palácio do Buriti

Redação
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José Seabra - Foto Fábio Rodrigues Pozzebom

Eleição é um filme sujeito a cortes, sustos e reviravoltas até o último segundo, tendo à frente um diretor de fotografia. E a imagem, hoje, sugere que Celina Leão (PP) pode mandar polir as chaves do Palácio do Buriti. Não é que a porta esteja fechada para os adversários, mas porque a mais recente pesquisa do IGAPE mostra a governadora numa posição numericamente confortável na corrida eleitoral.

Celina aparece com 36,5% das intenções de voto no levantamento estimulado. José Roberto Arruda (PSD) vem atrás, com 20,7%, e Leandro Grass ocupa a terceira posição, com 13,8%. A distância entre a primeira e o segundo colocado é, portanto, de 15,8 pontos percentuais.

Há ainda uma maneira ainda mais transparente de olhar para esses mesmos números. Retirando-se exclusivamente os 11,3% dos entrevistados que disseram não saber ou preferiram não opinar e redistribuindo proporcionalmente esse universo entre os candidatos citados, Celina alcança 41,1%. Arruda vai a 23,3% e Grass a 15,6%. Paula Belmonte aparece com 5,9%, Ricardo Cappelli com 5,3% e Kiko Caputo com 3,5%.

Mas é preciso colocar um asterisco do tamanho da Torre de TV nessa conta. É que esses percentuais não constituem um cenário de votos válidos divulgado pelo IGAPE. São apenas uma conversão matemática dos números publicados pelo instituto, excluindo os 11,3% de “não sabe/não opinou”. Trata-se, portanto, de uma simulação, e não de uma projeção do resultado das urnas.

Feita a ressalva, sobra um dado politicamente relevante, porque no Raio X captado pelo levantamento, Celina reúne quase o dobro do percentual atribuído a Arruda nessa conversão. São exatos 41,1% contra 23,3%. O que se observa neste momento, menos de 15 dias do pleito, é que Celina encontra-se bem à frente do pelotão, com os adversários tentando reduzir a distância.

A pesquisa também oferece outro ingrediente. Em relação ao levantamento anterior do próprio instituto, Celina passou de 35,4% para 36,5%, enquanto Arruda caiu de 24,3% para 20,7%. Grass, por sua vez, avançou de 10,7% para 13,8%. É uma prova de que enquanto a governadora variou numericamente para cima, a oposição continua disputando espaço entre si.

Outro dado relevante do estudo feito pelo IGAPE diz respeito à corrida ao Senado, onde Michelle Bolsonaro aparece com 27,5% no primeiro voto, seguida por Leila do Vôlei, com 13,9%, Erika Kokay, com 11,5%, e Bia Kicis, com 8,5%. No segundo voto, Michelle registra 15,1%; Bia, 12,9%; Leila, 9,3%; e Erika, 6,4%.

Nesse quadro, porém, surge uma legião de eleitores ainda sem destino declarado, com 26,5% não sabendo ou não opinando sobre o primeiro voto para o Senado e nada menos que 41,3% fizeram o mesmo em relação ao segundo. Isso serve para lembrar que eleição não se ganha olhando apenas pelo retrovisor.

O IGAPE ouviu nessa pesquisa específica 2 mil eleitores. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número DF-07879/2026.

Celina, portanto, tem razões objetivas para enxergar com otimismo o retrato. Já seus adversários têm razões igualmente objetivas para lembrar que outubro ainda não chegou. Lá no Buriti, as chaves continuam na fechadura, e Celina é quem aparece mais perto delas. Mas nem por isso a governadora pode permitir-se reduzir o ritmo da campanha, porque quem azeitará as chaves não é um chaveiro, mas o eleitor.

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José Seabra é CEO fundador de Notibras

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